HISTÓRIA DA CATEQUESE
Pe Dr. Luiz Alves de Lima, sdb
1. A catequese é uma realidade viva da vida da Igreja. A Igreja faz a catequese e a catequese constrói a Igreja. Não podemos compreender uma sem a outra. A história, além de conservar a memória dos antepassados, ilumina o presente, é fonte de atividade e vida, de incentivo e de interpretação do “hoje” da nossa vida. Assim se expressa o DNC (Diretório Nacional de Catequese) [1]: “A Igreja faz parte da história. Ela está situada no contexto social, econômico, político, cultural e religioso, marcado atualmente pela globalização neoliberal de mercado e pelo pluralismo. Em nossa complexa realidade brasileira, predomina uma matriz cultural cristã. O mandato missionário de Jesus (cf Mc 16, 15-16; Lc 24, 47; At 2, 38) coloca cada discípulo e a Igreja, em qualquer lugar, como sal, luz e fermento (cf Mt 5, 13-15). A catequese, como ministério da Igreja, leva em conta as situações específicas de cada lugar e as condições próprias de cada grupo de catequizandos” (nº 59).
E, com o título “Ser humano, um ser histórico” assim continua o DNC: «A história é lugar da caminhada de Deus com seu povo e do povo com Deus. Nela e por ela Deus se revela e manifesta o que ele quer ensinar e o que espera da humanidade. Jesus Cristo, o Filho de Deus, encarnou-se na realidade humana e num determinado contexto histórico, que condicionou sua vida, ensinamento e missão. Viveu, ensinou e nos salvou a partir da história e do que ela comporta. A história faz parte do conteúdo da catequese. O fiel, iniciado no mistério da Salvação, é chamado a assumir a missão de ajudar a construir a história, segundo o Reino de Deus» (nº 60).
A história da Igreja se inicia com Jesus Cristo, e mais em particular com a pregação apostólica, sobretudo com a pregação de S. Paulo. Neste curso, primeiro veremos uma sinopse da História da Igreja (cap. I), para aí, situarmos a História da catequese (cap. II), chegando até os nossos dias. Entre tantas possibilidades de periodicizar a história, optamos por quatro períodos, cada um com características bem marcantes.
Cap. I – Sinopse de História Geral da Igreja
1. Dos inícios até 600
2. Fase decisiva para a organização e fortalecimento da Igreja. A cultura helenista dominava o oriente médio (Israel, Egito, Síria de hoje). Compreende as duas primeiras gerações de cristãs: nelas os apostos, Paulo à frente, dominam o cenário. Mesmo os apócrifos dão grande realce aos primeiros discípulos. Período denso de heroísmo e também de perseguições constantes. A literatura da época (escritos apostólicos) fala de doutrina, culto, constituição e disciplina. Há uma influência da Igreja-Mãe, Jerusalém e do judaísmo. Os essênios (espécie de ordem religiosa) mantêm a força tradicional do judaísmo. Pelo seu rigor podem ter atraído João Batista e influenciado aquilo que se chama de judeu-cristianismo.
3. Merecem destaque três livros: Didaqué ou doutrina dos apóstolos (pequeno manual pástoral-catequético), as sete cartas de Santo Inácio de Antioquia (que testemunha a Igreja organizada e sustentada pela jerarquia) e a epístola de São Clemente de Roma, refletindo os valores judaicos e helênicos para os novos tempos. Os 2 últimos falam do primado do bispo de Roma. Há cristãos que se separam (heréticos, cismáticos) por questões doutrinais ou por não aceitar a grande Igreja. Um destes desvios é o gnosticismo, hoje em alta na civilização ocidental... Tais movimentos misturam doutrinas antigas e novas com revelações e exaltações pessoais. Nascem os livros apócrifos, não reconhecidos pela tradição, mas hoje muito estudados A Igreja mantém um caminho de sobriedade, procurando salvar valores surgidos ao longo dos tempos. A lista oficial dos livros bíblicos é fixada pelo Cânon (norma da fé), cujo critério fundamental é a tradição apostólica e a sucessão dos apóstolos.
4. Os escritores sagrados, chamados apologetas, pois defendem a fé, exercem o grande trabalho de inculturação da fé mostrando que a Igreja não é estranha à história e à evolução da cultura (Irineu e Justino). Os grandes escritores do Oriente (Clemente de Alexandria, Basílio, Gregório, etc.) tentam a síntese entre cultura grega e cristianismo, elaborando uma pedagogia humana e cristã. Orígenes (l85-253), apesar de alguns erros devidos também a seus intérpretes, é um dos maiores autores da patrística: dono de vasta cultura, estabelece as regras de conservação e interpretação da Bíblia e lança os fundamentos da reflexão cristã ao longo dos séculos (teologia). No Ocidente destacam-se Tertuliano e Cipriano que se ocupam mais das virtudes, educação cristãs e estruturas eclesiásticas. As assembléias regionais de bispos (sínodos) e mais amplas (concílio ecumênico) enfrentam as falsas doutrinas e tentativas separatistas; o primeiro concílio foi o de Nicéia em 325, distorcido no “Código Da Vinci”... Constantinopla (381): Divindade do E. Santo; Éfeso (431): Maria Mãe de Deus – Teotókos; Calcedônia (452): 2 naturezas de Cristo.
5. O fermento cristão acabou por penetrar a imensa massa do império romano e estabeleceu os germes da civilização cristã. Mas o cristianismo não foi aceito sem contestação. Como Cristo, também os apóstolos e discípulos foram perseguidos. Os mártires, que regaram com seu sangue quase todas as áreas do domínio romano, foram sementes de novos cristãos. Mártir significa testemunha, recolhido em escritos e tradições orais, mas também pela vida doada em defesa da fé. Os motivos das perseguições foram os mesmos que levaram Cristo à Cruz; os cristãos eram chamados de subversivos, pois pregavam a mensagem cristã não só aos corações, mas também à sociedade. / Sucessores dos mártires são os monges: para preservarem a autenticidade de seu testemunho, homens e mulheres se separavam dos demais numa vida austera, em meio à oração e aos trabalhos manuais de sustentação e numa perseverança radical ao evangelho. Viviam isolados (Anacoretas: Antão, Paulo) ou em comunidades orantes e penitentes (Cenobitas). Tais comunidades, acolhendo jovens doutos e sábios, preparam as grandes escolas de espiritualidade e inicia a tradição teológica dos mosteiros, sendo a melhor escola de bispos e pastores da época: Pacômio, Basílio, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo no oriente. No Ocidente o mestre consumado e pai do monaquismo que chegou até nós será o grande Bento de Núrcia (480-547).
6. Constantino Magno em 313 reconhece na prática a força dos cristãos: enriquecidos de mártires, teólogos, ascetas e grandes pastores, constituem em 10% da população mais ativa do mundo então conhecido. Em 391 Teodósio declara o cristianismo como religião de Estado. Os séculos IV e V ficam marcados por escritores de primeiro nível: é a época patrística. No Ocidente brilham Agostinho, Jerônimo, Ambrósio e Cesário de Arles: abarcaram propriamente todos os assuntos que explodiriam nos séculos futuros como desafio à inteligência cristã. Os escritores de língua grega, no Oriente, foram mais profundos, pois tinham a ferramenta do pensamento grego, que até hoje domina nossa cultura; eram místicos e filósofos e abordavam não só problemas em nível pessoal, mas também as estruturas injustas, como o enriquecimento ilícito. Podemos nomear: Gregório Nazianzeno, Basílio Magno, Gregório de Nissa, Cirilo de Alexandria e Atanásio. Influenciaram grandemente os sete primeiros concílios ecumênicos e foram influenciados também pela vida civil e política: apaixonavam o povo mais simples, não só porque as figuras dos bispos eram muito populares, mas também porque os assuntos envolviam o cerne mesmo e o coração da Igreja: a divindade de Cristo, a Trindade santa, Maria Mãe de Deus, a autoridade da Igreja, etc.
7. Fenômeno importante deste período é a “invasão dos bárbaros”, ou melhor, migração dos povos (séc. V e VI): povos pobres e primitivos do norte desceram para o sul (império romano) em busca de melhores terras. A Igreja foi ao seu encontro e houve um grande momento de inculturação no encontro com as culturas germânicas. Grande papa missionário e renovador foi Gregório Magno: os monges enviados à Inglaterra convertem as ilhas britânicas ao cristianismo; retornando ao continente os monges irlandeses são fermento de renovação. Com isso anuncia-se o período cristão medieval, que desloca o centro de interesse de Roma para a Europa Central. As estruturas da Igreja se confirmam pela atuação de Gregório e Leão Magnos. Surge então a grande tentação: navegar nas águas do poder civil, adaptar-se aos costumes e às veleidades das cortes, confiar mais no poder do que na autoridade interna da Igreja. Maomé, que criou vigorosa corrente religiosa com grandes valores éticos e sociais (islamismo), baseia-se em parte na Bíblia e em parte em suas revelações pessoais. A corrente histórica dos mulçumanos infelizmente separou a humanidade e tirou-lhe o germe precioso da unidade cristã. No fim deste período termina a época da história chamada antiguidade (476, com a queda de Roma) e surge a Idade Média.
2. Dos anos 700 a 1300
8. Desenvolveu-se o germe do período anterior. A era missionária, iniciada na antiguidade e continuada por Columbano, Bonifácio e outros, trará modificações substanciais entre os povos anglo-saxões. Estes dominarão a História por séculos. A aliança da dinastia dos Pepinos com o Papado, sobretudo a coração de Carlos Magno (natal de 800), ocasionou uma espécie de comunidade ocidental: união dos germanos com o cristianismo, nova face da Igreja: união entre Império e Estado a ponto de desaparecer as fronteiras entre ambos. Mas origina-se também, daí, a luta entre o Império e o Sacerdócio (Investiduras). A questão da relação entre poder civil e religioso deixará marcas para muitos séculos, até hoje.
9. No Ocidente conhecido, também se tenta o encontro entre cultura bizantina e islâmica: surge até nova aurora para a filosofia e a teologia. Esta acabará por definir-se dentro de uma corrente que chamamos hoje de Escolástica. Pelos anos 1200 aparecem as escolas teológicas, começando pela primeira universidade, a de Paris; outras vieram depois: Bolonha, Pádua, Oxford, Cambridge e Salamanca. No Norte, já no século XIV virão as escolas de Praga, Viena, Heidelgerg e Colônia. Foi um florescimento de cultura religiosa nunca visto, com nomes do porte de Alberto Magno, Alexandre de Hales, Tomás de Aquino, Duns Scoto, Boaventura e outros. Mas neste período aparecem também heresias como os cátaros e os valdenses: provocam emoções, concentrações e divisões.
10. O papado teve momentos de grandeza e humilhações: viu-se reformada por dentro e por fora. Os movimentos beneditinos de Cluny (920) e de outras famílias religiosas trouxeram de volta a austeridade e a sabedoria dos antigos monges. Nenhuma renovação, entretanto teve a força de Francisco de Assis e Domingos de Gusmão (1200), que atingiram toda a Igreja. Baseados no Evangelho e levando à prática a mensagem da encarnação, morte e ressurreição de Cristo, tocaram a fibra do povo e lhe deram a marca da autenticidade cristã. Ninguém fugia a seus apelos: pastores da Igreja, príncipes e o povo de Deus. A partir deles os religiosos se sentem indefectivelmente ligados ao Povo e à história.
11. Outros fatos marcam o futuro da Igreja: o primeiro cisma ou separação do Oriente (1054: Miguel Cerurário e Igreja Ortodoxa): a separação do oriente tem seu germe em rivalidades bem antigas; desdobra-se depois numa luta para conservar as imagens ou destruí-las (iconoclastas) e chega ao auge nas discussões doutrinárias sobre a Trindade e a questão do primado do papa. As oito cruzadas de 1096 a 1270, sobretudo a quarta que tentou estabelecer o império latino de Constantinopla em Jerusalém: 1204-1261. As cruzadas acabaram por exaurir as forças do oriente e a estabelecer muros quase intransponíveis entre os dois mundos de então. Este período medieval foi de grandezas e de fracassos em todos os planos.
3. Dos anos 1300 a 1750
12. Caracterizam-se pela dissolução do mundo cristão e ocidental, mas ao mesmo tempo é a época da Igreja sem fronteiras. As rivalidades e as contradições internas vieram provar que o Império e o Papado não serão, para o futuro, solução única para a ordem no mundo. A Europa perderá sua unidade; o papado perderá seu poderio unificador. Bonifácio VIII (1294-1303) tenta afirmar sua primazia sobre o estado nacional da França, mas será preso por Felipe, o Belo. Vem o tempo do exílio dos papas em Avignon (1309-1378), período confuso e desnorteante para os fiéis e declínio do poder temporal dos papas. Foi também a hora trágica do grande cisma do Ocidente, com Lutero (1517), Calvino e Zwinglio: a comunidade cristã se divide, para prejuízo de todos. Séculos e séculos sofrerão com isso. Apesar das crises, continua a cristandade. Começam a aparecer os Estados como França, Inglaterra e Espanha ou principados católicos e protestantes como os alemães. Para sociólogos e economistas, surge o que eles chamam de mercantilismo ou capitalismo precursor: a economia baseada no valor do dinheiro e no domínio do mercado.
13. O humanismo entrou no lugar da teologia: o homem libertado de Deus procura sua expressão a partir das concepções antigas, anteriores ao cristianismo (renascimento). Quanto ao povo simples, não sabem mais quem é o verdadeiro Papa e sua Igreja. Nesta hora, alguns líderes cristãos quiseram até por os concílios acima do Papa e já não mais unidos a ele. Chegara a hora de uma reforma “na cabeça e nos membros”, como se dizia no século XV. Isto acontece entre ataques de protestantes e católicos e entre guerras religiosas dos séc. XVI e XVII. A Igreja Católica custou a encontra o caminho da renovação, mas encontrou, pelos santos, pela fidelidade dos simples e em parte pelo Concílio de Trento (1545-1563). O mérito principal deve ser atribuído aos santos e às novas Ordens religiosas (jesuítas, capuchinhos...). Tudo rejuvenesceu, desde o gosto pela piedade, arte e teologia até à concepção cristã da vida e das missões. Aí estão os místicos, como Tereza d’Ávila, Pedro de Alcântara, João da Cruz e as escolas de piedade, sobretudo a francesa (Francisco de Sales). Esta renovação provocou também uma onda anti-clerical e anti-eclesial, cujo ápice será a Revolução Francesa (1789).
14. A Igreja, nesta época, pelo seu fervor e generosidade, podia ter se estendido até à Índia e China. Os Jesuítas criaram condições promissoras, mas lhes faltou apoio por parte da jerarquia, por falha de visão histórica, de generosidade e de abertura para com os costumes e a História tão rica destes povos. A América Latina e o Brasil entraram na história sem poder assumi-la por seus próprios povos e pelas suas virtualidades novas. Sentiram-se mais como apêndice, ou como colônia, sem feição própria e sem perspectivas de autonomia. Mesmo assim, houve grandes rasgos de generosidade entre missionários e leigos, com tentativas de criar novo tipo de civilização. Missões.
4. Dos anos 1750 a 2009
15. Aqui indicamos apenas pontos que vão deixar marca mais profunda em nosso tempo. A revolução francesa (1789) é o marco divisor: preparada pela época anterior, levou a humanidade a uma espécie de estaca zero. Começam as diversas correntes de construção, mas também de divisão da humanidade, ou mesmo de exploração do povo simples, através do liberalismo, socialismo, marxismo e comunismo. Provocam novo tipo de crença no progresso (o lema “ordem e progresso” é do positivismo, fruto desta evolução começada na revolução francesa).
16. A Igreja perde a intelectualidade e posteriormente o operariado e as massas populares. No entanto, também se organizam as forças em seu interior para encontrarem nova firmeza e expressão. Os tradicionalistas fazem muito barulho, principalmente os integristas. Em lugar da teologia, é a filosofia e literatura que dominam a cultura: as duas hão de demorar a encontrar-se. O papado volta a ser grande luz dentro da Igreja e sociedade. Desde Leão XIII (1878-1903) até João Paulo II (1978-2005) não são apenas os líderes à frente da Igreja, mas possuem também grande significado na sociedade. Ao perderem o domínio temporal, ou seja, os territórios pontifícios, durante o risorgimento (= ressurgimento) italiano (séc. XIX), os papas pareciam prisioneiros do Vaticano: foi então que o mundo lhes reconheceu a autoridade moral. Em 1929 com o tratado de Latrão entre a Sé Apostólica e o Estado Italiano, surge o Estado do Vaticano.
17. Surgiram inúmeras organizações católicas, desde as congregações religiosas, até os movimentos de leigos, como a grande Ação Católica. Os dois concílios (Vaticano I: 1869-1870; Vaticano II: 1962-1965) formam uma unidade. O primeiro definiu a infalibilidade e o primado do papa, e o segundo ampliou o conceito do colégio dos bispos unido ao papa, trazendo à tona a grande mensagem da igreja para os tempos novos. No Brasil, a Igreja vinculada ao Estado se desligou um pouco do povo (séc. XVIII e XIX). A maçonaria e as correntes liberais acenderam a questão religiosa e diminuiu-se a ação das ordens e congregações. Ao mesmo tempo, fortaleceram-se as confrarias de leigos e a religiosidade popular. A história preparava o caldo para uma Igreja nova, portadora de esperanças, que surgiram sempre da Cruz. Na hora em que separaram a Igreja do Estado, lhe deram condições de ter consciência de si mesma e de cumprir a sua missão junto ao povo.
18. Os missionários, vindos de todos os países da Europa à América Latina, tiveram em geral compreensão para tanto. Também os grandes pastores, bispos e padres, conservaram a fidelidade à Igreja Universal e prepararam a possibilidade de uma nova encarnação no mundo. A fundação da CNBB (1952) e sua atuação, as reuniões de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), abrem perspectivas de participação e comunhão nunca vistos em épocas anteriores. A chamada teologia da libertação, traz uma nova visão e comprometimento dos cristãos com as causas sociais. O longo pontificado de João Paulo II, marcado por mais de 100 viagens pastorais, consolida as posições do Vaticano II, porém em seu lado mais conservador. Com o raiar do terceiro milênio, há um ressurgimento do sentimento religioso em toda a humanidade e, dentro do cristianismo, de movimentos ligados mais à afetividade que à racionalidade (por ex.: nova era). Neste contexto, a Igreja se vê desafiada sobretudo pelos novos movimentos religiosos, tanto de origem cristã como oriental e africana. João Paulo II, após a celebração do grande jubileu do ano 2000, lança o grito: Duc in altum! Vamos em frente para o alto mar! Com sua morte em 02-04-05 é eleito Bento XVI com 78 anos; preve-se continuidade, com tendências conservadoras, e breve pontificado; intensa polêmica suscitou o levantamento da excomunhão de bispos lefrevianos (2009). Mas também tem surpreendido principalmente com suas Encíclica sobre amor e a esperança. No Brasil, em Aparecida realizou-se a V CELAM (13 a 31 de maio de 2007) com grandes repercussões para a retomada de uma verdadeira Igreja Missionária na Am. Latina e Caribe. De 29 de junho de 2008 a 28 de junho de 2009 celebra-se em toda a Igreja o Ano Paulino e no Brasil 2009 será um Ano Catequético. Em 2009-2010 o tema dominante na CNBB será a Iniciação Cristã.
Cap. II – Sinopse de História da Catequese
I . Dos inícios ao século V
19. Catequizar (kata-ecein=catá-ekhéin) em seu sentido original significa “fazer ressoar aos ouvidos”; no NT informar, instruir, ensinar de viva voz. Ou ainda: ressoar a Palavra de Deus. E qual a mensagem ecoada? “Jesus, já morto, está vivo” (At 25, 19). O centro da primeira pregação, do anúncio evangélico (querigma) foi o mistério pascal. Além da pregação inicial, a comunidade primitiva se preocupou logo cedo com a “educação da fé”: os 4 evangelhos são textos catequéticos. No NT encontramos 20 verbos para indicar a comunicação da mensagem. Os mais usados são: didaskein (ensinar, doutrinar – 95 vezes); keryssein (proclamar um grande acontecimento – 61); euanguelízesthai (anunciar uma boa notícia - 54); katekein (instruir – 17); martýresthai (testemunhar, manifestar, confirmar – 5). E também os substantivos:didaskalía (doutrina, ensino, instrução – 21), martyría (testemunho, prova, confirmação - 37); euangélion (boa notícia, alegre mensagem: vocábulo mais usado = 76). 1Cor 14, 19 e Gl 6,6 encontramos o verbo katekein com o sentido de “instruir alguém sobre o conteúdo da fé”. Gl 6,6 também fala do katekúmenos para indicar o “discípulo da fé” ou “aspirante ao Batismo” e do katekúnti (aquele que ensina) para indicar o ministério do catequista. Como se vê há uma variedade de vocabulário, e a que se consolidou no uso comum (catequese e catequista) são na verdade os menos usados no NT, mas consagrados pela Tradição . Há uma insistência no caráter vivo e oral dessa transmissão.
20. O conteúdo dessa catequese primitiva é a mesma mensagem do NT e dos escritos cristãos mais antigos. No 2º século o número de conversões aumentava sempre e muitos batizados se deixavam levar pela heresia, ou se amedrontar pela perseguição. Foi então que teve início o catecumenato institucionalizado, uma das instituições mais eficazes e frutuosas da História da Igreja: tempo extremamente sério de formação, para afirmar bem a fé, para testar a vida no meio do mundo pagão, e no seio de uma comunidade que comunicava sua fé e transmitia seu credo. O catecumenato: a comunicação da fé era tarefa da comunidade; o bispo instruía oficialmente: era “o catequista”; a comunidade apoiava com o testemunho. Aquele que se apresentava para ser cristão era levado por um ou vários irmãos que garantiam perante a comunidade as boas intenções do candidato e que tinha possibilidade de conversão. Estes que introduziam na comunidade, chamados padrinhos mais tarde – eram responsáveis pelo primeiro anúncio. Guiavam e controlavam a mudança de vida dos candidatos e os acompanhavam até que o bispo o chamasse para tomar parte do número daqueles que se preparavam para o Batismo: então, tornavam-se catecúmenos.
No 3º século o catecumenato alcançou seu máximo vigor e rigor: estava estruturado em 4 tempos: pré-catecumenato (primeiro anúncio), catecumenato propriamente dito (instrução, conversão), iluminação-purificação (tempo quaresmal-pascal) e mistagogia (pós-sacramento). Durava três anos, no final dos quais havia outro escrutínio para escolher os candidatos ao batismo, após o qual se seguia a catequese mistagógica (explicação dos mistérios-sacramentos). Nestes primeiros séculos o processo catequético compreendia o ensino, liturgia e penitência (conversão). Era pela penetração progressiva da Palavra de Deus em sua vida que o catecúmeno caminhava para os sacramentos da noite pascal: Batismo, Confirmação e Eucaristia. O batizado revivia a Vida, Morte e Ressurreição de Cristo: eram os ritos mistéricos da iniciação, inspirados também em antigas tradições religiosas, que depois foram purificados, adaptados e inovados pela Igreja (Cf DNC nº 45-50). Os Santos Padres (cf acima nº 4) defenderam muito, principalmente diante dos ataques dos pagãos, a absoluta novidade e originalidade dos mistérios cristãos, totalmente diferente dos mistérios pagãos!
21. A partir do edito de Milão (313) por parte de Constantino, há uma reviravolta no cristianismo: torna-se religião autorizada pelo estado, depois favorecida por ele e finalmente, em 391 torna-se religião de estado. Isto fez com que aumentasse o número de conversões, com o inconveniente de se tornarem menos sinceras. Os catecúmenos afluíam numerosos, mas sem pressa de serem batizados: o catecumenato se prolonga indefinidamente. Por ocasião da festa da Epifania – 6 de janeiro – o bispo pressionava os catecúmenos a se inscreverem para o Batismo na Páscoa. Sob pressão, o catecumenato vai se reduzindo, até limitar-se ao tempo da quaresma. Isto porque a Igreja quer guardar um mínimo de preparação séria. Isso já acontece nos séculos da patrística, isto é, dos grandes Santos Padres. Santo Agostinho escreve De catechizandis rudibus (publicado em português como Instrução dos catecúmenos).
22. Logo a sociedade torna-se cristã e numa sociedade em que a pessoa já nasce cristã as catequeses (ou catecumenato) não são necessárias. Generaliza-se o batismo de crianças, o que não existe no Novo Testamento. Mas a Igreja, com a reviravolta havida, generalizou esta prática (séc. V), substituindo o catecumenato. Esta instituição foi desaparecendo pouco a pouco até o séc. VIII. O rito do batismo de adultos é adaptado às crianças, sendo que pais e padrinhos respondem às perguntas que o catecúmeno devia responder... Desaparecendo o catecumenato desaparece a instituição catequética. Ela irá subsistir principalmente na pregação, pois tudo na sociedade já educa para a fé: é o catecumenato social que chega até hoje.
23. Nestes primeiros séculos a catequese foi antes de tudo uma função vivida na comunidade, antes mesmo de ser codificada. Era um apelo, um chamado, uma vocação da comunidade eclesial. Depois, passou a significar a apresentação da fé da comunidade, num desenvolvimento oral e metódico. Na época patrística (cf nº 4 acima), designava precisamente o ensino dado aos adultos, que se preparavam para receber o Batismo, na instituição do catecumenato batismal, hoje revalorizado!
II. A catequese na Idade Média: o catecumenato social
24. Com a queda do Império Romano no ocidente inicia-se a Idade Média (476). A Igreja vê-se frente à frente com os povos migrantes do norte (bárbaros) e aceitou o desafio: foi a evangelizadora e educadora destes povos. É um dos grandes momentos de inculturação da fé cristã no Ocidente. Uma vez convertidos estes povos, não há mais necessidade de tornar-se cristão: já se nasce numa sociedade cristã: reinos, príncipes, populações e famílias são todos cristãos. É a época da Cristandade. E a Igreja passa a ocupar o centro de toda a realidade. Não há separação entre o religioso e o profano. Cidade e paróquia se confundem. O tempo torna-se litúrgico. A Igreja oferece uma visão do mundo que é, ao mesmo tempo, cosmologia e história da salvação. Vemos a transcrição disto, nos ritmos do tempo que marcavam o domingo e as festas cristãs. Todo momento importante da comunidade era celebrado liturgicamente. Tais momentos não eram separados da festa profana e das festividades populares.
25. No longo período da Idade Média, não havia estruturas nem instituições de catequese da infância e adultos. A fé era transmitida na vida do dia-a-dia, simultaneamente com todas as coisas importantes da comunidade e pelo conjunto desta. Quanto à educação das crianças batizadas, a Igreja apelava para os pais e padrinhos, que assumem esse compromisso no momento do batismo. A criança vivia simplesmente com os adultos: imitava-os e ajudava-os. Sem esforço ela aprendia a pensar, a julgar, a orar, a crer como os adultos. Aprendia a obedecer as mesmas leis e autoridades. Elas se familiarizavam com os mesmos ritos e cerimônias, com as mesmas preces e os mesmos lugares sagrados.
26. A vida cotidiana e a vida litúrgica se misturavam. Formavam uma só coisa. É bem verdade afirmar que a vida era então a fé, e a fé era a vida. Autoridade religiosa e autoridade civil estavam intimamente ligadas. O pároco era habitualmente escolhido pelo senhor feudal, cuja autoridade vinha de Deus. Para a educação da fé das crianças, a Igreja contava com os gestos da família amplificada, que era a paróquia. A educação era feita pelos gestos, pela liturgia, pela devoção e pela arte. Hoje sabemos que na Idade Média a distância entre a teologia dos sábios e a doutrina do povo simples não era tão grande como muitos afirmam. A catequese era realizada pelo ambiente e pela vida da comunidade, e não através de atividades pedagógicas próprias. Havia sim escolas paroquiais, mas era para aprender os salmos e ajudar a missa: raramente aprendiam a ler e escrever: isto era só para os nobres, confiados ao capelão do castelo. As crianças aprendiam a ser bons e piedosos cristãos, portanto nada de doutrina, mas tudo coisa prática. O conhecimento abstrato era reservado às universidades: uma espécie de “serviço divino”, ordenado à glória de Deus e reservado a pessoas escolhidas, que tinham por vocação escrever, na ordem fixada por Deus, a totalidade dos conhecimentos (daí a palavra universidade). O saber não autorizado (heresias, conhecimentos de alquimia) era ameaçador e perigoso, justificando a expulsão e até mesmo a morte, pois colocava em perigo a estrutura social.
27. A catequese se realizava de 2 maneiras: cerimônias da Igreja e arte. A liturgia (ritos litúrgicos) , os vitrais artísticos eram impressões sensoriais que facilitavam o sentido do sagrado e ao mesmo tempo davam certa forma de educação moral. A devoção desempenhava um papel importante no processo catequético de educação da fé: oração, ascese, contemplação introduziam a experiência pessoal na vida religiosa. A arte era concebida como uma catequese permanente: paixões, mistérios, teatro popular, catedrais são de uma riqueza imensa. Cenas bíblicas e cenas da vida cotidiana se misturavam nos capitéis e nas fachadas dos grandes santuários e catedrais, que atraem multidão de peregrinos. Até hoje as portas centrais das grandes catedrais e seus vitrais maravilhosos são uma perene catequese aos visitantes. Como textos catequéticos, encontramos a Disputatio puerorum per interrogationes et responsiones (Discussão dos jovens através de perguntas e respostas), destinado à formação de futuros sacerdotes (puerorum) ainda da época carolíngia (séc. IX); abrange temas como bíblia, eclesiologia, eucaristia, credo, oração. Outras obras são os lucidários ou declaratórios, verdadeiras sínteses teológicas para sacerdotes dentro do esquema do Credo.
28. A comunidade eclesial, portadora da fé, era territorial e restrita, a jerarquia quase hereditária e o modo de vida mudavam pouco ou muito lentamente: sociedade estática! Tal estrutura estável gerava segurança e facilitava as relações humanas; cada um sabia seu lugar e era respeitado; situações e relacionamentos eram previstos e regulamentados. As ameaças eventuais eram provenientes do desconhecido ou incontrolável: fenômenos da natureza eram integrados ritualmente nos esquemas da vida social (procissões, intercessões, etc.). Cabia ao chefe e a Deus proteger e ajudar a comunidade.
29. Neste contexto de sociedade estática e homogênea, a ausência de estruturas e instituições catequéticas é coerente com o todo. A iniciação humano-cristã, feita no ambiente e na vida concreta da comunidade (catecumenato social), fornece os esquemas de ação e de pensamento, como também permite a cada um cumprir sua tarefa na estrutura social.
III. A catequese na Idade Moderna Européia
30. No início da Idade Moderna (séc. XV), surgem os primeiros manuais de instrução religiosa, para uso dos leigos que sabem ler e para o uso dos pastores na instrução dos iletrados. Jean Gerson publica em 1402 a Tríplice obra sobre o decálogo, a confissão e a arte de bem morrer e depois sua obra mais importante De pueris ad Christum trahendis (Sobre o conduzir os jovens a Cristo). O sínodo provincial de Tortosa (Espanha) em 1429 prescreve que se elabore “um breve compêndio, no qual estejam contidas de modo claro e sucinto, todas as coisas que o povo deve saber: o que crer (artigos da fé), o que pedir (Pai Nosso), observar (decálogo) evitar (pecados capitais) esperar (paraíso) e temer (inferno)” e que “durante o ano o pároco o explique repetidas vezes”. É o primeiro aceno na história daquilo que será chamado de catecismo. No fim do séc. XIV Pedro de Veragues havia escrito um Tratado da doutrina com 154 estrofes (só 18 se referem ao Credo e Sacramentos), mas foi publicado só no séc. XVI. Com a invenção da imprensa (Gutenberg: 1400-1468; Bíblia latina em 1455) multiplicam-se as “artes de bem viver e de bem morrer”; publicam-se espelhos: dos pecadores, da salvação, da perfeição, almanaques, revelações, chaves do paraíso, etc., tudo muito eivado de supertições antigas com roupagens novas.
31. Bíblia em vernáculo: 1517 (Lutero). O gênero catecismo nasce propriamente com Lutero: em 1529 publica o “grande catecismo”, em latim para, uso dos pastores. Logo depois publica o “pequeno catecismo” para o povo: até 1560 já atingira cem mil cópias! O Concílio de Trento (1545-1563) ordena a publicação de um catecismo “em latim e em vulgar, baseado na Bíblia e nos padres ortodoxos para que os fiéis, instruídos por seus mestres recordem a profissão de fé no Batismo e se preparem para o estudo da Bíblia”. Publicado em 1566, Carlos Borromeu à frente, com o título de Catechismus ad Parochos (Catecismo para os Párocos), é conhecido também como Catecismo de Trento ou Romano. Produzido dentro do modelo de Igreja surgido com a reforma provocada pelo concilio tridentino, é um breve tratado de teologia dirigido ao clero. Lê-se na introdução: “Sendo muitas e varias as coisas que Deus nos revelou [...] com muita sabedoria nossos antepassados distribuíram em quatro partes a vasta matéria da salvação: o símbolo dos apóstolos, os sacramentos, o decálogo e a oração dominical”. A partir da reforma e contra-reforma vai nascer a “era dos catecismos” que perdura até às portas do Vaticano II (1962).
32. O centro da mensagem é Cristo, mas a mensagem deve ser assimilada pessoalmente pelo cristão: tal assimilação se realiza na vida e toda a vida cristã é governada, em última análise, pelas virtudes teologais. Assim, a catequese pós-tridentina apresenta a mensagem em função da fé, esperança e caridade. Se os textos do séc. XIV e XV insistiam sobre o horror ao pecado e sobre a morte, agora haverá um retorno à insistência sobre a caridade, conforme o ensino de Agostinho e Tomás de Aquino. A moral cristã será a vivência do amor. O formulismo do fim da Idade Média desaparece: agora a linguagem é bíblica e patrística, porém com terminologia escolástica. A Liturgia porém não tem o devido destaque, resumindo-se, em geral, às rubricas. O ano litúrgico é ignorado e continua a orientação subjetiva da liturgia medieval, devocional e santeira. A Bíblia é muito citada, mas como um repertório de autoridade para a confirmação de doutrinas. Embora Trento fale dos adultos (tardes de domingo: catequese aos adultos!), a catequese se fixa decididamente no mundo das crianças... até nossos dias!
33. Muitas ordens religiosas tiveram influência na catequese neste período: barnabitas, capuchinhos, esculápios, mas, sobretudo os jesuítas. Muitos filhos de Inácio de Loyola publicaram catecismos de grande influência na Igreja: Pedro Canísio (1521-1597) e Roberto Belarmino (1542-1621) estão entre os maiores e brilham pela doutrina. Já os espanhóis Jerônimo Ripalda (1532-1618) e Gaspar Astete (1537-1601) se destacam pelas fórmulas precisas, breves, sintéticas e sem nenhuma explicação. Apesar da aridez e exagerada importância à moral, estes dois últimos tiveram grande divulgação. Podemos citar entre os grandes jesuítas também nosso José de Anchieta (1534-1597), que com Turíbio de Mongrovejo (1538-1606), arcebispo de Lima, foram os maiores nomes da catequese latino-americana no período colonial. “Antes mesmo de ter recebido dos missionários cristãos, a partir de 1492, a luz do Evangelho, o Espírito do Senhor já estava presente nas populações que habitavam o continente, posteriormente denominado América Latina. Elas reconheciam, a seu modo, a presença de Deus criador na natureza e na vida e o cultuavam (cf P 201, 401, 403). Essas «sementes da Palavra» (semina Verbi) facilitaram a missão evangelizadora dos cristãos que aqui chegaram (cf SD 17)” (DNC 65)
IV – A catequese no Brasil colonial
34. Com relação ao Brasil [2], uma vez introduzido na história ocidental e aberto para o mundo desenvolvido daquela época pela presença e ação dos portugueses, a história do Brasil se entrelaça com a história da evangelização e da catequese. Em 1532 fundaram-se as primeiras paróquias, e de 1538 a 1541 a primeira missão formal instalou-se em Santa Catarina por obra dos franciscanos. A grande epopéia dos missionários, principalmente dos jesuítas cuja existência também se confunde com história do Brasil, acompanhou de perto o crescimento e desenvolvimento brasileiro como um dos protagonistas principais. Com o primeiro governador geral enviado de Portugal vinha também um grupo de missionários jesuítas em 1549, nascidos pouco antes dentro do espírito da contra-reforma, e com um enorme impulso missionário. Foram eles encarregados da transmissão da fé aos indígenas isolados dos centros urbanos. Até então os missionários davam pouca importância à tarefa sistemática de uma catequese propriamente dita. Com os jesuítas começou-se a implantação de uma catequese institucionalizada para os colonizadores portugueses, seguindo o modelo tridentino. Para os indígenas realizou-se a catequese missionária bastante criativa e com esforços para atingir aquilo que hoje chamamos de inculturação. De fato, após as primeiras tentativas de catequizar os indígenas através de intérpretes, os missionários aprenderam a língua local [3], escreveram catecismos nestas línguas e usaram a música, teatro, a poesia, os autos e a dança ritual para a obra evangelizadora. Tanto nos colégios como na catequese indígena predominava a metodologia da tradição oral: uma memorização da doutrina mais mecânica e menos assimilada. Aliás, para os missionários "a questão da conversão dos índios não era doutrinária, mas uma questão de costumes", no dizer de Pe. Anchieta [4].
35. Dentre os missionários distinguiram-se o Pe. Manoel da Nóbrega, provincial, e o Bem-aventurado José de Anchieta, que veio como noviço e aqui se formou, desenvolvendo uma atividade que o coloca entre os gigantes da primeira evangelização latino-americana. Funda colégios (como o de São Paulo, que originou a atual metrópole), escreve textos catequéticos, teatros, gramáticas e poemas em quatro línguas (latim, português, castelhano e tupi-guarani), sendo ao mesmo tempo evangelizador, catequista, médico, artífice, pacificador, taumaturgo, mestre-escola, arquiteto: um missionário completo. Novas levas de missionários jesuítas chegaram ao Brasil nos anos seguintes, tendo no Pe. Antonio Vieira uma figura ímpar. Realizaram "uma obra sem exemplo na história", na expressão de um historiador [5]. Também outras ordens religiosas (franciscanos, capuchinhos, beneditinos, carmelitas, mercedários) se associaram à obra empreendida pelos jesuítas na extraordinária tarefa espiritual da formação cristã do Brasil. Todos missionários enfrentavam inúmeras dificuldades por causa da ambição colonizadora da política mercantilista, a ponto de o Papa Urbano VIII escrever a bula Comissum nobis em 1638 em defesa dos índios.
36. Apesar destas dificuldades vemos que os missionários se preocupavam não somente com novos métodos e técnicas, mas também com a superação da simples catequese doutrinal ou instrução (embora os textos vão muito nesta linha). Estavam muito atentos àquilo que hoje chamamos de promoção humana e social do indígena dentro de um contexto hostil e avesso a um tipo de atividade deste gênero. Com menos intensidade, mas igual zelo apostólico, fizeram esforços na evangelização dos negros que, numa atitude anti-humana, sofriam a escravidão. Entretanto não tiveram voz para se opor a tão execrável instituição escravagista. Este gigantesco trabalho evangelizador não pode ser atribuído só aos missionários, despojados, abertos à cultura indígena e com uma alta consciência evangélica. Também os leigos, especialmente mulheres, tiveram papel importante, infelizmente esquecida pela história: estiveram sempre ao lado dos missionários, ora assumindo mesmo o comando dos aldeamentos, ora fazendo parte integrante do processo catequizador.
37. As idéias que transformavam a Europa no século XVIII tinham sua repercussão no Brasil: o iluminismo, os ideais da Revolução francesa, o mercantilismo, o despotismo esclarecido. Este último movimento teve enorme influência no Brasil, através de Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal. Nomeado primeiro ministro de D. José II, de Portugal, suas medidas políticas afetaram profundamente a ação da Igreja, particularmente por causa da expulsão dos jesuítas (1759), com o conseqüente enfraquecimento da rede de escolas que eles mantinham ao longo do território nacional e pela imposição do catecismo jansenista. Pombal não estava interessado nas questões teológicas deste catecismo, mas no aspecto político com relação ao poder central da Igreja de que ele era revestido. Muitos bispos brasileiros protestaram, mas inutilmente; outros, ao invés, oficializam o texto em suas dioceses. Foi divulgado por toda parte influenciando tremendamente a catequese no Brasil até o início do período imperial. Mais do que o jansenismo dogmático, teve grande influência na formação religiosa brasileira o jansenismo moral com seu rigorismo ascético fanaticamente exacerbado, a busca da pureza legal sem limites, a luta indiscriminada contra o espírito de tolerância e o laxismo, visão negativa da sexualidade e a divulgação de um cristianismo triste [6].
38. A catequese oficial que entrou em crise, encontrou formas supletivas na catequese popular. Esta se caracteriza pela simplicidade, o conhecimento do essencial da fé, prática de um catolicismo despojado de fórmulas e de gosto popular, austero nas normas fundamentais e o grande número de devoções com forte confiança na mediação dos santos. Era uma catequese que se caracterizava pela transmissão de pai para filho dentro dos valores da herança familiar. O sincretismo religioso, mistura de elementos da religião indígena, africana e catolicismo romano, foi-se firmando e caracterizando muitas regiões brasileiras [7]. A religiosidade popular encontrou um campo propício onde se firmar e expandir; cresceu a catequese de cunho popular: a fé é mantida e sustentada por gente simples do povo, rezadores, puxadores de novena, pregadores populares. Sobressaem, entre eles, os ermitões e as rezadeiras. Ao seu redor reuniam-se massas de fiéis para práticas de catolicismo popular, que até o dia de hoje se refletem em nosso folclore religioso e em nosso modo concreto de sentir e viver a Igreja nas bases e no chão do povo.
V. Transformações na Europa no séc. XVIII
39. Com a divulgação do ensino primário obrigatório, as escolas, que em geral eram fundadas ou controladas pela Igreja, asseguravam também a instrução religiosa das crianças. Com isso, o catecismo se escolarizou. E as paróquias cuidavam das crianças que não freqüentavam as escolas. Os protestantes fundam as escolas dominicais. Grande influência na catequese foi a renovação espiritual e pastoral na França do séc. XVII. Pertencem a essa corrente: Vicente de Paulo, Luísa Marillac, João Batist de la Salle, Francisco de Sales, Pierre Bérulle, João Eudes e Jean-Jacques Olier, com suas respectivas fundações. Na França também nasce o “catecismo histórico” de Claude Fleury, amigo de Bossuet e Fénélon, que adota o método narrativo tornando o catecismo mais atraente e sem deixar a exposição doutrinária. Daí derivam depois as Histórias Sagradas: a Bíblia é conhecida então através de seleções de fatos, por vezes censurados! Entretanto este avanço pedagógico sofre posteriormente com a enorme influência do iluminismo: volta a predominar a catequese doutrinal sob a influência de Kant e das “luzes da razão” (Voltaire); por outro lado são benéficas para a pedagogia catequética a influência de Rousseau e Pestalozzi que insistem na necessidade de conhecer o aluno e adaptar-se à sua natureza. Deve-se citar também os catecismos influenciados pelo jansenismo (o catecismo de Montpellier terá grande influência no Brasil) e galicanismo, cujo maior exemplo é o Catecismo imperial de Napoleão (primeira tentativa de um catecismo nacional).
VI. Catequese no Brasil no século XIX: reforma católica
40. O período imperial, iniciado com a vinda da família real para o Brasil (1808) se caracterizou pela reforma católica, conduzida pelos bispos reformadores [8] e com reflexos na pastoral catequética. Além da reforma do clero e do povo católico, a renovação do ensino da doutrina cristã assumiu uma importância fundamental para a implantação da reforma. De maneira ocasional e intensiva, os bispos realizavam suas catequeses nas visitas pastorais, ao passo que de uma maneira mais regular e sistemática ela era ministrada nas paróquias e colégios religiosos. Instrumento valioso no impulso e animação da catequese foram as inúmeras cartas pastorais, instrumento de orientação e governo dos bispos, predecessoras dos modernos documentos ou planejamento do episcopado. Os catecismos que então surgiram, foram os instrumentos de um incipiente movimento, incrementado a partir de 1840. Sua marca característica será a dimensão doutrinal e as orientações do Concílio de Trento. Os novos textos pretendem substituir o divulgado catecismo jansenista. Foram traduzidos de edições européias ou elaborados e adaptados pelos próprios bispos brasileiros. Foi a época dos catecismos da doutrina cristã ou catecismos teológicos. A proliferação de textos catequéticos diocesanos durante o Império, prepara a tentativa de um texto único no período republicano, no início do século XX. Eles possuíam caráter doutrinal, teológico e apologético, ou seja, de defesa da pureza da fé. Esta doutrinação defensiva reflete o contexto do catolicismo do séc. XIX. De fato, além do combate aos erros do jansenismo, galicanismo e liberalismo e do tom antiprotestante da reforma de Trento, da qual a nossa reforma era tributária, deve-se também ter em mente as cláusulas favoráveis à liberdade religiosa dos anglicanos, contidas no Tratado do Comércio com a Inglaterra de 1810 e o advento de vários pastores protestantes e imigrantes americanos que fundavam importantes colégios no país.
41. Além desta atividade da educação formal da fé, através da catequese paroquial baseada em textos de catecismos com as características acima elencadas e através dos colégios católicos, deve-se acrescentar também a intensa obra da pregação missionária, que nos ambientes populares mantinha e alimentava a fé dos cristãos. Entre estes missionários, grande papel tinham os pregadores leigos populares, como: Antônio Conselheiro, líder religioso-político da revolução de Canudos (1897), João Maria na guerra do contestado (Santa Catarina), Pedro Batista na região de Paulo Afonso (Bahia) e Ir. José da Cruz (Rio Juruá no Acre). Junto com os textos de catequese eram também amplamente difundidos os devocionários, manuais de oração, novenários, livros de piedade, terços, horas marianas, missão abreviada (textos para a continuidade das santas missões), etc.
42. No final do século XIX e início do XX realizaram-se alguns esforços de articulação pastoral. D. Antonio Macedo Costa, bispo de Belém do Pará, nomeado depois Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, conseguiu, pela primeira vez na história da Igreja brasileira, reunir o episcopado em março de 1890 (eram poucas as dioceses), discutir e promulgar a Pastoral Coletiva do Episcopado Brasileiro. Seguem-se depois o Concílio Plenário Latino Americano (1899) em Roma e o Concílio Plenário Brasileiro (1939) e entre eles, em 1915, o Concílio das Províncias Eclesiásticas do Sul reunido em Nova Friburgo (RJ) que publica a célebre Pastoral Coletiva.
VII. A catequese na Idade Contemporânea
43. Nos séculos XVIII e XIX são importantes dois nomes: Johan Baptist von Hischer (1788-1865) influenciado pela renovação teológica da escola de Tubinga, particularmente pela redescoberta da patrística (Santos Padres) e da Escritura, publicou o Catecismo da Religião Católica centralizado em Jesus Cristo e na História da Salvação. Esta corrente entretanto foi atropelada por outra, de caráter doutrinal tridentino, do jesuíta J. Deharbe (1800-1871): ele escreve o Catecismo da Doutrina Cristã, verdadeiro compêndio de teologia escolástica e influenciado pela “devotio moderna”. Sua influência foi enorme.
44. No Brasil, após a expulsão dos jesuítas por Pombal (1759), é imposto o Catecismo de Montpellier, adotado até o início do período imperial. Na metade do séc. XIX apareceram os bispos reformadores, com D. Antonio Viçoso à frente, para colocar o Brasil dentro da reforma tridentina. Esta tendência de romanização teve seu auge no Concílio Plenário Latino Americano (1899) e no Concílio Plenário Brasileiro (1939) e com a publicação desde 1901 dos célebres Catecismos da Doutrina Cristã (em três níveis).
45. O séc. XX foi o século da renovação catequética em todos os sentidos, dando início ao movimento catequético sob a influência da Pedagogia Ativa e da Escola Nova. W. Froebel (1782-1852) havia fundado os jardins da infância (ensinar pelo jogo), Johann F. Herbart (1776-1841) demonstra que a inteligência da criança procede pela associação e não pela análise como o adulto. John Dewey estabelece a lei do learning by doing (aprender fazendo). Esta renovação pedagógica, unida às descobertas da psicologia científica desemboca no Congresso de Viena (1912), de Munique (1928) e no Método psicológico de Munique: a partir de um episódio bíblico, explica-se a verdade aí contida e aplica-se à vida. Dá-se grande valor à liturgia e à bíblia: é o método querigmático. Na França Joseph Colomb e François Coudreau assimilam estas tendências e as divulgam pelo mundo cristão. Na Alemanha se publica o Catecismo Católico (1955). De outro lado, porém, Pio X, com a encíclica Acerbo Nimis (1905, sobre a comunhão de crianças a partir de 7 anos) e seu catecismo, optam pela dimensão doutrinal.
46. No Brasil tudo isso favoreceu o incremento da catequese. O principal fruto deste incipiente movimento catequético foi a publicação do Catecismo da Doutrina Cristã [9] em 1903 pelas províncias eclesiásticas do Sul do Brasil, e logo adotado em todas as dioceses. Trata-se de um catecismo doutrinal-teológico, com fórmulas precisas e ao mesmo tempo simples dentro do padrão doutrinal, e por isso mesmo, memorizável. Impôs-se em todo o território nacional, perdurando suas edições sucessivas até os dias de hoje, com muito sucesso. Milhões de cristãos a partir de 1903 até às vésperas do Vaticano II, bem ou mal, foram formados tendo como texto base estes Catecismos da Doutrina Cristã. Eram considerados por muitos o catecismo por antonomásia. De um modo especial nos colégios, as respostas destes Catecismos eram memorizadas, enquanto que se adotavam outros textos, menos doutrinais e mais didáticos, para a explicação daqueles formulários. As célebres maratonas ou certames promulgados oficialmente, tinham, em geral, como base, os textos do Catecismo da Doutrina Cristã.
47. O Papa Pio X em 1905 publicou a encíclica Acerbo Nimis e em 1910 apareceu o catecismo que traz o seu nome. Entretanto, no Brasil já havia o Catecismo da Doutrina Cristã. Por isso, as influências de Pio X, papa da catequese, entre nós, foram mais em nível de animação e organização: a catequese tornou-se um fato popular, na medida que não era dirigida somente a alguns, mas incluía adultos, jovens e crianças e assumiu um caráter de fato educativo permanente. Além disso, nas orientações da Acerbo Nimis havia um apelo para que a educação cristã na catequese tivesse repercussões na vida, e a fé fosse professada na vida quotidiana. Embora este esboço de dimensão existencial quase não aparecesse no Catecismo de Pio X, pois sua preocupação era doutrinal, contudo tal abertura deu motivos para uma evolução posterior, bastante aproveitada no Brasil.
48. Sob o impulso de Pio X surgem também as Congregações da Doutrina Cristã nas paróquias e dioceses: são órgãos sob cuja direção a catequese é mais bem organizada e tem maior impulso. A partir da Acerbo Nimis, os leigos que, no Brasil sempre tiveram uma presença significativa na catequese, serão valorizados mais ainda. Os párocos, que eram cada vez mais conclamados a desempenharem com responsabilidade suas graves obrigações com relação à catequese, recrutam seus leigos auxiliares para o trabalho catequético entre os membros das várias associações paroquiais (Apostolado da Oração, Marianos, Vicentinos, Filhas de Maria, etc.). Esta abertura para os leigos foi reflexo do surgimento da Ação Católica na Europa e que se desenvolveu muito no Brasil. A força da necessidade, isto é, a falta de clero, obriga bispos e padres a recorrerem cada vez mais aos leigos. Com isto, os catequistas recebem uma formação mais sólida e profunda. Por tudo isso, em alguns países, São Pio X é o padroeiro dos catequistas!
49. Apesar destes avanços, continuou-se a denunciar a crônica ignorância religiosa no meio da população, conseqüência de uma catequese ainda não muito eficiente. Por outro lado, pessoas atentas à eficácia da pedagogia da fé começaram a criticar os catecismos doutrinais, à base de perguntas e respostas, privilegiando a memorização das fórmulas concentradas da doutrina cristã. O progresso das ciências pedagógicas e a evolução do movimento catequético europeu já nas décadas de 1920 e 1930 mostraram as fraquezas destes textos. A primeira renovação significativa veio pela Ação Católica, sob o pontificado de Pio XI. No Brasil, ela teve um enorme raio de ação, cujos efeitos até hoje se fazem sentir.
50. Seus cursos de cultura religiosa primavam pelo aprofundamento da fé, fugindo contudo daquele nocionismo que caracterizava a catequese tradicional como doutrina. Leigos bem formados pela Ação Católica assumiam a vocação de catequista, alterando um pouco o monopólio da catequese por parte do clero. Eles descobriam e viviam sua vocação cristã como leigos, marcando uma presença muito grande de um modo especial na catequese. No entanto, o avançadíssimo pensamento social cristão que permeava a Ação Católica e que irá influir significativamente na sua militância concreta, não conseguiu mudar muito o conteúdo da catequese tradicional. Este será um trabalho para o movimento catequético após o Vaticano II, mas aqui já estão suas sementes e suas bases.
51. Com a Ação Católica a catequese enriqueceu-se com um valioso instrumento metodológico: a maneira de proceder através da trilogia ver, julgar e agir. Timidamente praticado nos inícios, desenvolveu-se sempre mais, sob a influência do pensamento de Cardjin e Maritain, tornando-se depois não só metodologia da catequese, mas de toda a pastoral (hoje o DNC propõe a terminologia: “ver-iluminar-agir”).
52. Muito contribuiu para a evolução da catequese no Brasil o movimento querigmático. A catequese querigmática, pedagogicamente construída a partir de unidades didáticas, tem como espinha dorsal de seu conteúdo a História da Salvação, cujo centro é Jesus Cristo, com um grande uso da Bíblia, particularmente os Evangelhos, como também a Liturgia. É fruto da convergência na catequese dos avanços dos movimentos bíblicos, litúrgico, da renovação da teologia querigmática, da escola ativa, e de toda a efervescência pastoral que acontecia na Igreja às vésperas do Vaticano II. Entre os grandes animadores da catequese do período pré-conciliar, destaca-se o Pe. Álvaro Negromonte, que criou e difundiu no Brasil o chamado método integral de catequese: tinha como objetivo formar o cristão íntegro, firme na fé, forte no amor e pleno de esperança (CR 22). Em muitas partes do mundo cristão realizaram-se Congressos Catequéticos ou Semanas Internacionais de Catequese.
VIII. Do Concílio Vatic. II ao Diretório Nacional de Catequese e Aparecida
53. A renovação teológica, bíblica, patrística e litúrgica do final do séc. XIX e início do XX, renovam a Igreja e provocam o Vaticano II (1962-1965) que vem revolucionar a Igreja e a catequese (DV, LG, AG, GS...); fez publicar o DCG (1971). Precedido também por grandes movimentos, como a Ação Católica (que no Brasil é dirigida por Helder Câmara, fundador da CNBB em 1952) a Igreja se abre ao mundo moderno, às questões sociais e à ação dos leigos. O método ver, julgar e agir da Ação Católica domina a pastoral. Desde 1962 a CNBB publica de 4 em 4 anos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja. Na Holanda em 1966 aparece o célebre Catecismo Holandês, cujo título original é: A fé para adultos; tenta falar da fé a partir dos problemas do homem moderno (europeu). Redigido por jesuítas, é polêmico, mas faz muito sucesso, talvez um dos melhores catecismos até hoje! No Brasil o Vat. II ficou sendo conhecido e veiculado, através, principalmente, da reflexão catequética que foi muito fecunda nos anos 60 e 70. Foi fundado no Rio de Janeiro em 1963 o Instituto Superior de Pastoral Catequética (ISPAC) por iniciativa de Dom Helder e do Pe. Álvaro Negromonte, e organizado e dirigido pelo então Pe. Hugo Paiva [10]. Esta escola superior de catequese, nos moldes do Institut Catéchètique de Paris, embora tenha durado pouco (até 1969) formou a geração de catequetas que impulsionaram a catequese nos anos 60 até o início do milênio... Publicou várias obras, em geral traduzidas do francês, que na época era o que havia de mais avançado em termos de catequese. Além desse Curso Superior Nacional, foram fundados outros ISPACs em nível regional (Curitiba, São Paulo, Porto Alegre...). Com a crise desses cursos, somente em 1982 e que aparecerá em São Paulo, no Instituto Pio XI dos salesianos, um Curso Superior de Pastoral Catequética, fundado pelo autor dessas apostilas. Durou até 1997 quando foi substituído, dez anos depois pelos cursos de Pó-Graduação (Curitiba, Goiás, São Paulo, Porto Velho, Salvador...).
54. Na América Latina a renovação vem através da Semana Internacional de Catequese seguida imediatamente da Assembléia de Medellín em 1968: a situação sociopolítica exige da Igreja e da catequese uma resposta às profundas transformações do continente. Nascem a opção pelos pobres, as CEBs, os germens da teologia da libertação e a conseqüente catequese libertadora e transformadora. Esta corrente catequética se consolida nos doc. da CNBB: Catequese Renovada Orientações e Conteúdo (1983), e outros textos produzidos pelo Grupo Nacional de Reflexão Catequética (GRECAT) [11], grupo fundado em 1983 e que, assessorando a dimensão bíblico-catequética da CNBB, anima e impulsiona a catequese em nível nacional. Em 1978 é fundada a Revista de Catequese pelo Pe. Ralfy Mendes de Oliveira ( 04-03-2008) [12] A primeira e segunda semanas brasileiras de catequese são momentos culminantes da história recente da catequese no Brasil (1986 e 2001). É importante citar ainda as assembléias de Puebla (1979), Santo Domingo (1992), Aparecida (2007) e o documento Catequese na América Latina (1985; a edição de 1999 infelizmente não foi traduzida em português) [13]. O núcleo desta renovação catequética do séc. XX pode ser sintetizado nestes itens: a comunidade de fé como principal “lugar” da catequese, o valor da Bíblia como texto principal da catequese, o princípio da interação entre fé e vida, a necessidade de inculturação da fé, a pessoa do catequista como mistagogo e sua formação, a recuperação da dimensão catecumenal da catequese.
55. Em termos de Igreja mundial é publicado em 1971, por ordem do Concílio Vaticano II, o Diretório Catequético Geral, que entre outras coisas, insiste na necessidade de volta aos adultos. O Sínodo de 1977 é dedicado à catequese e logo em seguida João Paulo II escreve a carta Catechesi Tradendae (1979), faz publicar o Catecismo da Igreja Católica (CaIC) em 1992 e o Diretório Geral para a Catequese em 1997. O Congresso Internacional de Catequese (08-12 de Outubro de 2002), comemorando os 10 anos do Catecismo da Igreja Católica acentuou a importância deste texto e dos catecismos nacionais, reforçando a necessidade de se dar maior importância à dimensão intelectual e sistemática na educação da fé: daí se explica por que a Congregação da Doutrina da Fé foi a autora e promotora principal do Catecismo. Esta tendência ganha maior importância com o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, querido por João Paulo II e publicado por Bento XVI em 29-06-05, um resumo em perguntas e respostas! No entanto, tal dimensão intelectual, sempre necessária na catequese, deve estar integrada e equilibrada com os outros aspectos da educação da fé, como bem demonstrou todo o movimento catequético do século XX.
56. No Brasil a 2a. Semana Brasileira de Catequese (out. 2001) veio reforçar a tendência de todo o movimento catequético do século XX de voltar-se para os adultos: Com adultos catequese adulta. A catequese é então considerada um processo de iniciação aos mistérios de Cristo e um processo de formação permanente. Proposto pelo Grecat, a 40a. Assembléia Geral (AG) da CNBB (maio de 2002) aprovou o esquema geral de um Diretório Nacional de Catequese (DNC) [14]. Em 08 de maio de 2003, na 41a. AG, foi apresentada a primeira redação, elaborada pelo GRECAT e publicado depois como Instrumento de Trabalho I Versão Provisória (Brasília, CPP 2003, 150 pp.). Em 27 de Abril de 2004 na 42a. AG foi apresentada a versão seguinte publicada depois com o título: A Caminho do Diretório Nacional de Catequese Instrumento de Trabalho III (Brasília, CPP 2004, 154 pp.). Em 15 de Agosto de 2005, a 43a. AG da CNBB aprovou o texto definitivo, por unanimidade. Muitos catequistas, catequetas, biblistas, teólogos, liturgistas e outros estudiosos foram envolvidos no processo de elaboração deste DNC, que certamente será um MARCO na história da catequese no Brasil. Propondo uma catequese com dimensão catecumenal, intimamente ligada à Liturgia, o DNC apresenta um novo paradigma de catequese!
57. O texto do DNC foi logo enviado ao Vaticano para aprovação por parte da Congregação para o Clero, encarregada da catequese na Cúria Romana e por parte da Congregação da Doutrina da Fé. Com a demora da aprovação de Roma, o texto aprovado pela Assembléia Geral foi amplamente divulgado e estudado em muitos lugares, pois várias dioceses já o tinham incluído na programação de 2006. Finalmente, em 31 de Julho de 2006, chegou de Roma, em Brasília, o texto com as várias observações [15]. Em reunião convocada pela CNBB só para isso, em 07 e 08 de agosto de 2006, foram feitas as últimas emendas e o texto foi encaminhado novamente para Roma. Finalmente, em 25 de Outubro de 2006 foi oficialmente lançado na sede da CNBB em Brasília e publicado por duas editoras.
Em vista da V Conferência de Aparecida, a Secção de Catequese do CELAM reuniu em Bogotá a III Semana Latino-58. Americana de Catequese (III SLAC) com cerca de 50 especialistas para dar contribuições a partir da catequese. Esse grande momento catequético latino-americano foi liderado por Dom José Luís Chavez Botello, responsável pela catequese no CELAM e seus assessores. Como fruto dessa III SLAC foi publicado um documento em quatro capítulos [16] que acentua sobretudo os processos de iniciação cristã e a dimensão catecumenal da catequese.
De 13 a 32 de Maio de 2007 realizou-se em Aparecida (SP) – Brasil – a V Conferência do Episcopado Latino-Americano, tendo sido inaugurada por Bento XVI. Seu lema: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nEle nossos povos tenham vida”. O seu texto final, apesar de ter sido modificado após a aprovação, continua um grande documento, bastante equilibrado entre a linha mais espiritualista dos movimentos e as tendências da Teologia da Libertação, acentuando a urgência de uma evangelização a partir do encontro pessoal de Jesus Cristo. Propõe uma grande missão continental,atualmente em andamento [17]. Em termos de catequese, consagrou as linhas do nosso DNC. Faz uma distinção entre “iniciação cristã” (a primeira e fundamental catequese) e a “catequese permanente” (que, no espírito do Diretório Geral para a Catequese de 1997 e o nosso Diretório Nacional, teria sido melhor chamar de “formação permanente” ou, melhor, “formação continuada”).
De 28 de junho de 2008 a 29 de junho de 2009 foi celebrado o ANO PAULINO, em comemoração dos 2000 anos do nascimento de São Paulo, um evento de forte apelo catequético, dada a importância da figura de Paulo na Evangelização.
59. 2009 foi celebrado como ANO CATEQUÉTICO NACIONAL com o foco no DNC [18]. O ponto alto desse ano foi a celebração da III Semana Brasileira de Catequese (III SBC) de 08 a 12 de Outubro de 2009 em Itaici, com mais de 450 participantes e o tema Iniciação à Vida Cristã [19], tema que já fora prioritário na 47a. Assembléia Geral da CNBB de fins de Abril de 2009. Durante a III SBC foi publicado o Estudo da CNBB Iniciação à Vida Cristã: um processo de inspiração Catecumenal [20]. Na verdade, esse tema é um desdobramento do DNC e do foco central do Documento de Aparecida: iniciação cristã é o grande desafio da Igreja no séc. XXI. A iniciação cristã é considerada um processo litúrgico-catequético, recuperando o antigo e muito eficiente catecumenato vivido pela Igreja na antiguidade. Dentro do processo da iniciação cristã se coloca a catequese, que é agora chamada de catequese com inspiração catecumenal (ou de dimensão catecumenal): se levada muito a sério, será uma verdadeira mudança de paradigmas para a educação da fé. Muito se reflete também sobre a formação iniciática do catequista [21].
60. Após a publicação do DNC (2006), a III SLAC (2005), Aparecida (2007), o Ano Catequético (2009), a III SBC (2009), o estudo Iniciação à Vida Cristã (2010), o Congresso Nacional sobre a Animação Bíblica da Pastoral (Goiânia, outubro 2011), o Ano da Fé proclamado por Bento XVI (out. 2012 a out. 2013) e as Jornada Mundial da Juventude (2013), deveremos, no Brasil, certamente, começar a nos preocupar com um catecismo nacional ou catecismos regionais; esta é uma das insistências da Sé Apostólica, trabalho certamente hercúleo [22], sobre o qual o GRECAT já começou a dar passos em sua reunião de 15-03-08 [23].
Bibliografia Geral
Alves de Lima Luiz, A face brasileira da catequese: um estudo histórico-pastoral do movimento catequético brasileiro das origens ao diretório "catequese renovada". Faculdade de Teologia da Universidade Pontifícia Salesiana, Tese de doutorado nº 346, Roma 1995, 550 pp. edição acadêmica;
Alves de Lima Luiz, Paisagem, gênese e significado do documento Catequese Renovada in Passos Mauro, Uma história no Plural. São Paulo: Vozes 1999, pp. 115-174;
Alves de Lima Luiz, Gênese e desenvolvimento do Diretório Nacional de Catequese in Revista de Catequese 29 (2006) nº 116, out.-dez., pp. 06-25
Alves de Lima Luiz, Novos paradigmas para a catequese hoje in Revista de Catequese 30 (2006) nº 117, jan.-março, pp. 06-17
Alves de Lima, Luiz, Diretório Nacional de Catequese: entrevista in Revista de Catequese 28 (2005) Out.-Dez., nº. 112, pp 62-65.
Alves de Lima, Luiz, O catecumenato ontem e hoje in Revista de Catequese 31 (2009) Abril-Junho, nº. 126, pp. 06-22.
Alves de Lima, Luiz, História da Catequese no Brasil in Belinquete José, História da Catequese nos países de língua portuguesa. Lisboa: Grafica Coimbra 2011. Vol. II, pp. 1443 -1505 (ERE 1507-1547)
Anchieta José de, Diálogos da Fé, edição fac-símile e crítica, Loyola 1985;
Autores Vários, Dicionário de Catequética. Paulus: 2004, vários verbetes.
Autores Vários, Fontes da Catequese: coleção de 14 volumes dos santos padres, Vozes 1970-1978.
Bollin Antonio – Francisco Gasparin, A catequese na vida da Igreja: notas históricas. São Paulo: Paulinas 1998;
Braga Antonio M. da Costa, Padre Cícero: sociologia de um Padr , antropologia de um Santo. Bauru: EDUSC 2008, 364 pp
Cardoso Armando, Um carismático que fez história: vida do Pe. Jose de Anchieta. S. Paulo: Paulus 1997;
Cnbb, Diretório Nacional de Catequese. Instrumento de Trabalho I – Versão provisória. Brasília 2003 nºs 92 a 128 (na edição definitiva e oficial do Diretório Nacional de Catequese correspondem aos nºs 59-83).
Cnbb, Diretório Nacional da Catequese = Publicações da CNBB 1. Brasília: Edições da CNBB 2006. Publicado também como Diretório Nacional da Catequese = Documentos da CNBB 84. São Paulo: Paulinas 2006;
Cnbb, Iniciação à Vida Cristã: um processo de inspiração catecumenal. Coleção “Estudos da CNBB 97”. Brasília: Edições CNBB 2009;
Dicionário Patrístico e de Antiguidades cristãs. Petrópolis: Vozes 2002., verbete Catequese;
Figueiredo Anísia, História do Ensino Religioso no Brasil in Belinquete José, História da Catequese nos países de língua portuguesa. Lisboa: Grafica Coimbra 2011. Vol. II, pp. 1507-1547.
Floristán, Cassiano, Catecumenato: história e pastoral da iniciação. Vozes: 1995;
Gruen W., O Catecismo da Igreja Católica e a nossa Catequese: perspectivas. Petróp.: Vozes 1995, principalmente p. 27-37;
Gueeurickx José, A catequese na comunidade cristã: pequena história da catequese, Vozes 1971;
Lustosa Oscar, Catequese Católica no Brasil. S. Paulo: Paulinas 1992;
Mendes de Oliveira Ralfy, O movimento catequético brasileiro no Brasil. S. Paulo: Editora Sales. D. Bosco 1980;
MORAS Francisco, As correntes contemporâneas da catequese. Petrópolis: Vozes 2004, 110 pp.
Nery Israel José, Catequese com adultos e catecumenato: história e proposta. S. Paulo: Paulus 2001.
Matos Henrique Cristiano José, A Igreja na História: faixa de tempo da história do Cristianismo. Belo Horizonte: Editora Lutador 1990. Trata-se de oito quadros esquemáticos e sinóticos de grande utilidade didática.
Mira João Manoel de Lima, A Evangelização do Negro no período colonial brasileiro. São Paulo: Loyola, 1983;
Paiva José Maria de, Colonização e Catequese. São Paulo: Editora Cortez, 1983;
Passos Mauro e outros, Uma história no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro. Vozes 1999;
Santos Luiz Pereira dos, Catequese ontem e hoje: dos primórdios a Medellín. São Paulo: Paulinas 1987;
Terra João Evangelista, História da catequese, Loyola 1982;
Wand J.W.C. [autor evangélico], História da Igreja primitiva até o ano 500 DC. São Paulo: Custom 2004 (Tel. 0xx11-3333-6049).
Obs: Além desta lista bibliográfica, cf. também nota 11 à pg 13 e principalmente a longa nota nº 14, acima à pg 14-15 sobre a redação do Diretório Nacional de Catequese, e ainda nota 16 da pg 15 sobre a III Semana Latino-americana de Caequese e a nota e 18 na pg 15 sobre o Ano Catequético Nacional 2009.
FIM
São Paulo – Câmpus Pio XI do UNISAL – Curso de Metodologia Catequética– 03 a 19 – 01 - 2012
Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb - professor
Assessor do CELAM e da CNBB para a catequese, ex- presidente e atual membro da SCALA, professor de Catequética e História da Catequese no Campus Pio XI do UNISAL (São Paulo), na PUC de Goiás e de Curitiba e no Instituto de Pastoral Latino-Americana (ITEPAL – Bogotá), redator e editor da Revista de Catequese, coordenador da equipe redatora do Diretório Nacional de Catequese; membro da equipe que preparou o tema da Iniciação Cristã para a 47a. AG da CNBB e o “Estudo da CNBB 97”; membro da diretoria do UNISAL - Câmpus Pio XI - São Paulo; Professor convidado da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma.
QUESTÕES PARA UMA AVALIAÇÃO
I) Primeira Opção: entregue sua síntese do artigo: “A iniciação cristã ontem e hoje”
II) Segunda Opção: Escolha um tema da matéria estudada nesses dois dias e faça uma dissertação sobre ele
III) Terceira Opção: Responda a quatro dessas cinco perguntas abaixo:
1) Qual a importância da História para a Catequese e em geral para a fé cristã?
2) O que se entende por catecumenato? Como ele foi estruturado?
3) O que se entende por “catecumenato social”?
4) Na patrística encontramos muitas “catequese mistagógicas”. Em que consistiam?
5) A primeira evangelização se concentrava no querigma. Que significa isso?
[1] Cnbb, Diretório Nacional de Catequese = Documentos da CNBB nº. 84. São Paulo, Paulinas 2006, 288 pp. Cnbb, Diretório Nacional de Catequese = Publicações da CNBB – Documentos 1. Brasília, Edições CNBB, 222 pp. Para outras informações sobre o DNC cf mais na frente nº.s 56-57 destas apostilas à pg 12-13 abaixo com a longa nota 14.
[2] Aqui transcrevemos textos do DNC Instrumento de Trabalho I. Versão Provisória. Brasília, CPP 2003, nº 111 e ss., referentes à História da Catequese no Brasil. Usamos tal versão pois as posteriores foram bastante reduzidas. Na versão oficial corresponde aos nºs 65-83.
[3] Desde 1560 as Regras comuns dos jesuítas impunham a todos eles o conhecimento das línguas da região onde habitavam. Aos missionários, sobretudo, se impunha a grave obrigação de conhecer e usar bem as línguas indígenas, a ponto de poderem escrever livros e explicar a doutrina cristã. Não poderia ser ordenado nenhum jesuíta que não soubesse línguas indígenas. Eram muitas as línguas faladas no território brasileiro, mas havia uma língua geral, o tupi, mais ou menos falado por todos.
[4] Serafim Leite, Cartas do Brasil, Coimbra 1955, p. 12; cf também José de Anchieta, Cartas, Informações. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 1933, pp. 419 e 435.
[5] Capistrano de Abreu, História da Colônia, Rio de Janeiro 1945, 4a. ed., p. 105.
[6] Cf Oscar Lustosa, Catequese Católica no Brasil, São Paulo, Paulinas 1991, p. 67.
[7] Sobre os valores indígenas e africanos assimilados no catolicismo popular pela catequese nesta época, cf Bernardo Cansi, Fragmentos de la historia de la catequesis en Brasil in Actas del Congreso Internacional de Catequesis: Del Vº Centenário al IIIº Milenio pp. 195-201.
[8] Podem ser citados: D. Romualdo de Souza Coelho e D. Macedo Costa (Pará), D. Antônio Viçoso (Mariana), D. Joaquim Manoel da Silveira (Maranhão), D. Antônio Joaquim de Melo (São Paulo), D. Pedro Maria de Lacerda (Rio de Janeiro), e outros. Alguns autores chamam tal reforma de romanização, pois a finalidade principal dos bispos reformadores era implantar no Brasil o espírito da reforma tridentina, superando o tradicional catolicismo português ainda de raiz medieval.
[9] Na verdade era um catecismo em quatro níveis: Resumo da Doutrina Cristã (extrato da doutrina elementar); Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã (catecismo elementar destinado aos principiantes); Segundo Catecismo (catecismo básico); Terceiro Catecismo (de nível avançado).
[10] Cf Palu Lauro, Hugo de Vasconcelos Paiva grande pastoralista e catequeta in Revista de Catequese 31 (2008) nº 123, julho-set., pp. 65-67.
[11] São eles: Textos e Manuais de Catequese: orientações para sua elaboração, análise e avaliação = Estudos da CNBB 53, 1987; Primeira Semana Brasileira de Catequese = Estudos da CNBB 55, 1987; Formação de Catequistas: critérios pastorais = Estudos da CNBB 59, 1990; Orientações para a catequese de crisma = Estudos da CNBB 61, 1991; Catequese para um mundo em mudança = Estudos da CNBB 73, 1994; O hoje de Deus em nosso chão = Estudos da CNBB 78, 1998; Com adultos catequese adulta = Estudos da CNBB 80, 2001; O itinerário da fé na “iniciação cristã de adultos” = Estudos da CNBB 82, Paulus 2002; Segunda Semana Brasileira de Catequese: catequese com adultos [atas da 2a. Semana Brasileira de Catequese] = Estudos da CNBB 84, Paulus 2002; Crescer na Leitura da Bíblia = Estudos da CNBB 86, Paulus 2003; Ler a Bíblia com a Igreja: comentário didático popular à Constituição dogmática Dei Verbum = Projeto Nacional de Evangelização “Queremos ver Jesus...” nº 11, 2004. Há também vários cadernos sobre o Diretório Nacional de Catequese, publicados pelas “Edições CNBB”. Cf ainda: Catequistas para catequese com Adultos = Estudos da CNBB nº 94 e Ministério do Catequista = nº 95; Ano Catequético = 2009
[12] Cf. Silva Carlos Sebastião, Um protagonista do Movimento Catequético Brasileiro – Memória do Pe. Ralfy Mendes de Oliveira in Revista de Catequese 32 (2009) nº 125, janeiro-março, pp. 48-59.
[13] Estas 4 Assembléias (Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida) foram promovidas pela Conferência Episcopal Latino Americana e seu Conselho (Celam) cujo Departamento de Catequese (Decat) impulsionou muito a catequese em toda a América Latina. A V Assembléia Geral da Celam realizou-se de 13 a 31 de maio de 2007 em Aparecida, SP, com um tema claramente catequético: “Discípulos e Missionários de Jesus para que todos nEle tenham vida”. Em 1995 surgiu também um novo organismo, não ligado à hierarquia da Igreja, mas independente, congregando catequetas (isto é, estudiosos da catequese) latino-americanos: é a SCALA (Sociedade de Catequetas Latino-americanos) que já realizou seis assembléias e publicou algumas obras. O autor destas apostilas foi seu presidente por dois períodos (1997-2003). O atual presidente é o Ir. I. José Nery.
[14] Bibliografia sobre o DNC: A evolução dos passos do Diretório Nacional de Catequese, desde sua primeira aparição (outubro de 2001) até hoje, pode ser conferida nos registros do Comunicado Mensal (CM) e da Revista de Catequese (= RC): Relatório da Reunião do GRECAT in RC 25 (2002) nº 97, jan.-fev., p.75 nº 5; Diretório Nacional de Catequese: justificativa e conteúdo in RC 25 (2002) nº 98, abr-jun., pp. 55-57; Diretório Nacional de Catequese in RC 25 (2002) nº 99, jul-set., p. 60; Cnbb - 40ª Assembléia Geral, Projeto de um Diretório Nacional de Catequese (Doc. 31/40ª AG-Sub) in Comunicado Mensal 51 (2002) abril, nº. 560, pp 409-421; Relatório do Encontro Nacional de Catequetas in Ibid. p. 66 nº 3; também in CM 51 (2002) nº 563, p. 1622; Reunião do Grecat in RC 25 (2002) nº 100, out.-dez., pp. 29 – 31, nº 1; Projeto do novo Diretório Nacional de Catequese in RC 26 (2003) nº 101, jan.-mar., pp. 42 – 46; também in CM 51 (2002) nº 560, pp. 409-421; Esboço esquemático de um Diretório Nacional de Catequese in CM ibid.. pp. 422-425; Arnedo F. J. Hernandes, Novos rumos da catequese no Brasil in CM ibid. 425-427; Relatório da Reunião do GRECAT in CM 51 (2002) nº 561, p. 1112; Reunião do GRECAT in RC 26 (2003) nº 101, jan.-mar., pp. 63 – 67, nº 4; também in CM 51 (2002) nº 566, p. 2179; Alves de Lima, Luiz, Apresentação da 1a. Redação do Diretório Nacional de Catequese in RC 26 (2003) nº 102, abril-jun., pp. 55-60 (cf. CM 52 [2003] nº 570, p. 386, nº 78-80: infelizmente o CM não publicou nenhum documento referente ao DNC da 41a. Assembléia Geral de 2003; há apenas uma rápida referência na Ata nº 8 do dia 08/05/2003, nº 78-80, como citado acima); Id., Catequese Renovada 20 anos in RC 26 (2003) nº 102, abril-jun., p. 50; Nascimento Teresa e Vilson Dias de Oliveira, Conquistas e Perspectivas da Dimensão Bíblico-Catequética em nível nacional in RC 26 (2003) nº 102, abril-jun., pp. 63 e 67; também in CM 52 (2003) nº 570, pp. 643-649; Relatório da Reunião dos redatores do Diretório Nacional de Catequese in CM 52 (2003) nº 572, pp. 1313-1314; Reunião dos Coordenadores Nacionais de Catequese in Revista de Catequese 26 (2003) nº 102, abril-jun., p. 68, nº 1; CNBB-Dimensão Bíblico Catequética, Diretório Nacional de Catequese: instrumento de Trabalho I – versão provisória. Brasília, Centro de Pastoral Popular 2003, brochura de 152 pp.; Relatório da Reunião do GRECAT in RC 26 (2003) nº 103-104, jul.-dez.., p. 107 nº 3; Sá J.- M. A. Barboza - L. A. Lima, Estágio atual da Redação do Diretório Nacional de Catequese in RC 27 (2004) nº 105, jan.-mar, pp. 47-53; Grecat, O andamento da catequese no Brasil: Reunião do Grupo Nacional de Reflexão Catequética – GRECAT, in RC 27 (2004) nº 105, jan.-mar, pp. 38-39 e 41-43, nºs 2 e 5. Albano Cavallin – Luiz Alves de Lima, Acompanhando o Diretório Nacional de Catequese in RC 27 (2004) nº 106, abri-junho, pp. 41-48; Grecat, O andamento da catequese no Brasil: Reunião do Grupo Nacional de Reflexão Catequética in RC 27 (2004) nº 106, abril-junho, pp. 49-50; Eugênio Rixen, O episcopado brasileiro e a catequese in RC 27 (2004) nº 106, abril-junho, pp. 60-61; L. Alves de Lima, O andamento da catequese no Brasil in Revista de Catequese 27(2004) nº 108, outubro-dezembro, pp. 60-63 (à pg 62: Discussão sobre o Diretório Nacional de Catequese); e ainda: in Revista de Catequese 28(2005) nº 109, janeiro-março, pp. 60-62 (à pg 60: 2. Diretório Nacional de Catequese; à pg 78: Diretório Nacional de Catequese na reta final); Id., Animação da dimensão bíblico-catequética: encontros do GRECAT e GREBIN in Revista de Catequese 28(2005) nº 110, abril-junho-setembro, pp. 61-67 (à pg 63: 3. Diretório Nacional de Catequese). L. Alves de Lima, Aprovação do Diretório Nacional de Catequese in Revista de Catequese 28 (2005), julho-set., nº 111, pp. 4-5 (editorial); Albano Cavallin – Juventino Kestering, Diretório Nacional de Catequese in Revista de Catequese 28 (2005), julho-set., nº 111, pp.51-57; L. Alves de Lima, Entrevista sobre o Diretório Nacional de Catequese [à agência internacional católica Zenit] in Revista de Catequese 28 (2005), out.-dez., nº 112, pp. 62-66. O Diretório Nacional de Catequese in Caminhada da catequese no Brasil: relatório da reunião do Grecat in RC 29 (2006) Jan.-Março, nº. 113, pp. 50-51; Alves de Lima, Luiz, A aprovação do Diretório Nacional de Catequese in RC 29 (2006) Jan.-Março, nº. 113, pp. 4-5; Diretório Nacional de Catequese: decreto de aprovação [romana], apresentação e introdução in RC 29 (2006) Jan.-Março, nº. 113, pp. 68-69; Alves de Lima Luiz, Gênese e desenvolvimento do Diretório Nacional de Catequese in Revista de Catequese 29 (2006) nº 116, out.-dez., pp. 06-25; Alves de Lima Luiz, Novos paradigmas para a catequese hoje in Revista de Catequese 30 (2006) nº 117, jan.-março, pp. 06-17.
[15] Trata-se do Protocolo da Congregatio pro Clericis nº 20051678 com data de 12 de julho de 2006, assinado por D. Csaba Ternyák. Afirma que “a Congregação para o Clero examinou com particular cuidado o texto, também em consideração ao fato de tratar-se do Diretório de uma grande e nobre Nação, à qual muitas outras igrejas latino-americanas olharão com viva atenção e interesse [...]. Ao mesmo tempo em que esta Congregação aplaude e se alegra pelo empenho colocado na redação do Diretório, transmite também as observações [12 páginas!] pedindo que sejam totalmente integradas na revisão do texto [após o que], será concedida a solicitada recognitio”.
[16] Celam – Secção de Catequese, A caminho de um novo paradigma para a Catequese. III SLAC. Brasília: Edições CNBB 80 pp. Para informações sobre a organização, convocação e temas dessa III Semana: cf Secção de Catequese do CELAM, Terceira Semana Latino-Americana de Catequese in Revista de Catequese 29 (2006) nº 113, jan.-março, pp. 39-42. Para a síntese dos temas tratados nesta III Semana: cf Luiz Alves de Lima, Discípulos e Missionários de Jesus Cristo in Revista de Catequese 29 (2006) nº 114, abril-junho, pp. 38-52. Contribuições da Secção de Catequese do CELAM à V Conferência. Proposições da III SLAC in Revista de Catequese 29 (2006) nº 116, out.-dez., pp. 79-80.
[17] Cf Projeto Nacional de Evangelização: o Brasil na Missão Continental. Brasília: Edições CNBB 2008, 24 pp. Documentos da CNBB 88.
[18] Foi publicado, pela Animação Bíblico-Catequética de Brasília, o texto-base para esse magno evento: Catequese caminho para o discipulado e a missão. 2009 – Ano Catequético Nacional. Brasília: Edições CNBB 2008, 64 pp. Sobre esse Ano Catequético Nacional pode-se também consultar: Santos Jânison Sá, Ano Catequético Nacional: passado e presente in Revista de Catequese 32(2009) nº 125, jan.-março., pp. 41-47; Barbosa Maria Aparecida, Catequese caminho dinâmico da fé. Refletindo sobre o Cartaz do Ano Catequético Nacional in Revista de Catequese 32 (2009) nº 126, abril-maio, pp. 50-53.
[19] Os temas das grandes palestras pronunciadas durante essa Semana, assim como os temas de alguns seminários, foram primeiramente publicados in Revista de Catequese 32(2009) nº 128, out.-dez.., pp. 06-78. A mesma Revista de Catequese 33 (2010) janeiro-março, nº 129, pp. 06-80 publicou os temas dos principais seminários e alguns outros documentos.
[20] Cnbb, Iniciação à Vida Cristã: um processo de inspiração catecumenal. Coleção “Estudos da CNBB 97”. Brasília: Edições CNBB 2009. Pode-se consultar ainda: Alves de Lima Luiz, A caminho de novas orientações sobre a Iniciação Cristã in Revista de Catequese 32(2009) nº 125, jan.-março., pp. 60-65; Idem, Iniciação cristã ontem e hoje in Revista de Catequese 32(2009) nº 126, abril-junho., pp. 06-22. Trevisan Silmara – Alves de Lima Luiz, Iniciação Cristã, Escolas Catequéticas e Ano Catequético in Revista de Catequese 32(2009) nº 126, abril-junho., pp. 68-73; Id., Iniciação à Vida Cristã: apresentação de um documento da CNBB in Revista de Catequese 32(2009) nº 127, julho-set., pp. 34-48; Id., Catequese a serviço da Iniciação Cristã: reflexões em torno do tema central da 3ª. Semana Brasileira de Catequese in Revista de Catequese 32(2009) nº 128, out.-dez., pp. 15-25.
[21] Cf Sociedade de Catequetas Latino-Americanos (Scala), Formação iniciática de catequistas in Revista de Catequese 31 (2008) nº 123. julho-set., pp. 68-78. De 18 a 21 de Outubro de 2010 realizou-se em Bogotá, convocado pelo CELAM, um Encontro Latino-americano de Catequese, com o tema Jesus, formador do discípulo, cujo documento final, breve, mas profundo e prospectivo, foi amplamente divulgado na internet em castelhano (Mensaje a las Conferencias Episcopales, a las Comisiones Nacionales de Catequesis de Sudamérica y a la Sección de Catequesis del CELAM) com tradução em português (Mensagem às Conferências Episcopais, às Comissões Nacionais de Catequese da América do Sul e à Secção de Catequese do CELAM).
[22] Cf. sobre esse momentoso assunto, os excelentes artigos de Gruen Wolfgang, O Catecismo no Diretório Nacional de Catequese in Revista de Catequese 30 (2007) nº 120, out-dez., pp. 06-17; O catecismo local na atual mudança de época in Revista de Catequese 32 (2009) nº 126, abril-junho, pp. 30-40.
[23] cf Programação Catequética Nacional 2008-2009 in Revista de Catequese 3([2008) abril-junho, nº 122.
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