sexta-feira, 9 de março de 2012

A Catequese na Igreja Particular (1ª parte)


A Catequese na Igreja Particular (1ª parte)
                                                            

                                                               Formamos a Igreja viva que caminha para o Reino do Senhor.
Vivendo em comunidade nós faremos este mundo ser melhor.


Introdução

Uma pequena história prepara nossos corações e nos introduz em um tema tão importante para nossa vocação-missão de catequistas. Ei-la:

 “Certo dia, um jovem se aproxima de um eremita e lhe diz: - Estou decepcionado com a minha Igreja e com minha paróquia e estou à procura de uma comunidade perfeita...
O ancião conduziu-o às muralhas de sua velha capela e interrogou-o:
- Dize-me, jovem, que vês nestas velhas paredes?
- Musgo e, sobretudo, muitas ervas daninhas – responde o jovem, surpreso.
- E, no entanto, Deus habita este edifício! – continua o eremita. Assim ocorre com tua Igreja. Ela não pode ser pura nem perfeita porque é composta de homens. Tu mesmo és um homem e, ainda que um dia descobrisses a Igreja e a paróquia perfeita, ela deixaria de sê-lo tão logo começasses a participar dela”.

                  
1. Vinculação Igreja-Catequese

         As várias definições de catequese, formuladas em contextos e épocas diversas, oferecem elementos que são determinantes e constantes e que permitem definir a identidade da catequese em torno de três polos essenciais de referência: a palavra de Deus, a fé e a Igreja.
         A catequese é antes de tudo ministério da Palavra e, portanto, serviço ao evangelho, comunicação da mensagem cristã e anúncio de Cristo; ela ilumina com a palavra e dá sentido à vida em todos os seus aspectos;
         A catequese é educação da fé, mediação eclesial para favorecer o nascimento e o crescimento da fé nas pessoas e nas comunidades;
         A catequese é ação da Igreja, expressão da realidade eclesial e momento essencial da sua missão.
         Levando em conta estes polos, pode-se dizer que catequese é toda forma de serviço eclesial da palavra de Deus orientada para ajudar as pessoas e as comunidades a amadurecerem na fé cristã[1].
Sendo a catequese ação, expressão e missão da Igreja, há implicação e correlação profundas entre elas. Esta vinculação é íntima e não se trata de algo periférico, dispensável, um apêndice ou anexo.
“A catequese é um ato essencialmente eclesial. O verdadeiro sujeito da catequese é a Igreja que prossegue a missão de Jesus Mestre e, animada pelo Espírito, é convidada a ser mestra da fé” (DGC 78).
Segundo a lógica do dinamismo da revelação, a Igreja, sob a ação do Espírito, é continuadora da obra de salvação querida pelo Pai. Quem recebe o mandato de evangelizar e catequizar é a Igreja. Portanto, a catequese só se entende como ação eclesial. Na última aparição de Jesus, na Galiléia (cf. Mt 28, 16-20), os apóstolos são enviados pelo Senhor a pregar a boa-nova a todos os povos. São enviados como testemunhas de tudo que experimentaram e viram na convivência com o Mestre (cf. Lc 24, 48).
A Igreja, animada pelo Espírito, desde o início, buscou várias mediações a fim de ser fiel ao mandato de Jesus. A catequese como serviço da palavra, enquanto iniciação à fé e aprofundamento da mesma, sempre foi considerada como “direito” de todo batizado e consequente “dever” da Igreja (cf. DNC 178).
Como verdadeiro sujeito da catequese, a Igreja tem consciência de que o agente primeiro ou protagonista da evangelização é o Espírito Santo. Ele sempre a impeliu a fazer do dom recebido, um dom vivido, reinterpretado e transmitido.
A catequese como ministério eclesial a serviço da fé abre caminho para o encontro, o conhecimento e a recepção do Deus de Jesus Cristo. Comunica, em chave de atualidade, a revelação de Deus às pessoas de hoje. Situa-se, portanto, no âmbito do ministério da palavra, na Igreja.
O “o exercício da catequese” é de responsabilidade de toda a Igreja que, na globalidade de sua vida e com seu modo de ser presença no mundo, pode favorecê-lo ou dificultá-lo.
A catequese assume o rosto da Igreja, porque a concepção que se tem desta determina a concepção e a realização daquela. A eclesiologia determina a forma de catequese. A Igreja está para a catequese assim como a catequese está para a Igreja.
Contudo, a catequese “faz a Igreja” enquanto é lugar de vivência de Igreja, de comunhão, corresponsabilidade, participação e tem como finalidade formar cristãos que se insiram na comunidade eclesial de modo consciente, afetivo e efetivo, sendo protagonistas da construção do seu perfil de Igreja de Cristo e de sua missão no mundo.




















[1] Cf. ALBERICH E., Catequese evangelizadora. Manual de catequética fundamental. Ed.Salesiana: 2004, p. 94.

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