terça-feira, 15 de maio de 2012

Liturgia e catequese

EXTRATO DO DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE


2. A Palavra de Deus, fonte da Catequese

2.2. Liturgia como fonte da catequese

115. Outro lugar onde se manifesta de modo sublime a Palavra de Deus, e portanto é fonte privilegiada de catequese, é a sagrada liturgia. Tendo mencionado anteriormente este tema, ele será aqui aprofundado.

2.2.1. Fundamento antropológico

116. O ser humano é, por natureza, ritual e simbólico. Refeições em família, nascimentos e mortes, festas populares, comícios, perdas e vitórias humanas são cheias de ritos. Pelo rito, expressamos o sentido da vida, oferecido e experimentado por um ser cultural. Aderir ao rito significa abrir-se ao sentido proposto por aquele grupo e, portanto, assumir sua identidade, fazer parte dele. A observância do mandamento de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” possibilita a adesão, sempre renovada e reforçada em cada celebração, à identidade com Ele e à comunidade cristã. A identidade, nesse caso, tem a ver com o sentido da vida, a proposta do Reino (amor, comunhão, partilha...) que Jesus ensinou, viveu e nos deixou como mandamento. A expressão ritual trabalha com ações simbólicas e estas atingem o ser humano como um todo, em suas diversas dimensões: sensorial, afetiva, mental, espiritual, individual, comunitária e social. A ligação estreita que existe entre experiência, valores e celebração nos permite formular uma espécie de lei estrutural da comunicação religiosa: aquilo que não é celebrado não pode ser apreendido em sua profundidade e em seu significado para a vida. A catequese leva em conta essa expressão de fé pelo rito para desenvolver também uma verdadeira educação para a ritualidade e o simbolismo.

2.2.2. Fundamento teológico

117. O Vaticano II considera a liturgia como celebração memorial do mistério pascal, na perspectiva da História da Salvação. A memória se faz na assembleia litúrgica pela leitura e interpretação das Sagradas Escrituras e pela celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos, sacramentais, ofício divino, ano litúrgico. Essa memória é realizada na força do Espírito Santo, dando graças a Deus que torna presente e nos faz participar do Mistério Pascal de seu Filho. Na ação litúrgica o Pai é adorado e glorificado, e nos cumula de bênçãos pela presença de seu Filho Jesus Cristo nos sinais sacramentais; dá-nos o Espírito de adoção filial que prepara os fiéis, recorda e manifesta-lhes a ação salvadora de Cristo. Isso acontece na Igreja e pela Igreja que é como que o instrumento e sacramento da Salvação (cf. Catecismo 1110-1112); pela celebração dos sagrados mistérios, a Salvação torna-se hoje presente. Por isso a liturgia é ação sagrada por excelência, cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, fonte da qual deriva sua força, e requer uma participação plena, consciente e ativa (cf. SC 7, 10 e 14). A catequese bebe desta fonte e a ela conduz.

2.2.3. Liturgia e catequese

118. “Na liturgia Deus fala a seu povo, Cristo ainda anuncia o Evangelho e o povo responde a Deus com cânticos e orações” (SC 33): ela, ao realizar sua missão, torna-se uma educação permanente da fé. A proclamação da Palavra, a homilia, as orações, os ritos sacramentais, a vivência do ano litúrgico e as festas são verdadeiros momentos de educação e crescimento na fé. A liturgia é fonte inesgotável da catequese, não só pela riqueza de seu conteúdo, mas pela sua natureza de síntese e cume da vida cristã (SC 10; CR 89): enquanto celebração ela é ao mesmo tempo anúncio e vivência dos mistérios salvíficos; contém, em forma expressiva e unitária, a globalidade da mensagem cristã. Por isso ela é considerada lugar privilegiado de educação da fé. “A proclamação da Palavra na liturgia torna-se para os fiéis a primeira e fundamental escola da fé” (DGAE 21). As festas e as celebrações são momentos privilegiados para a afirmação e interiorização da experiência da fé. O RICA é o melhor exemplo de unidade entre liturgia e catequese. Celebração e festa contribuem para uma catequese prazerosa, motivadora e eficaz que nos acompanha ao longo da vida. Por isso, os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu processo o momento celebrativo
como componente essencial da experiência religiosa cristã. É essa uma das características da dimensão catecumenal que hoje a atividade catequética há de assumir.

119. Há uma relação íntima entre a fé, a celebração e a vida. O mistério de Cristo anunciado na catequese é o mesmo que é celebrado na liturgia para ser vivido: “Pelos sacramentos a liturgia leva a fé e a celebração da fé a se inserirem nas situações da vida”. Por essa interação, a vida cristã é discernida à luz da fé e desenvolve-se uma co-naturalidade entre culto e vida: “Acolhemos com alegria o atual anseio de, nas celebrações litúrgicas, celebrar os acontecimentos da vida inseridos no mistério pascal de Cristo”

2.2.4. Catequese litúrgica

120. A catequese como educação da fé e a liturgia como celebração da fé são duas funções da única missão evangelizadora e pastoral da Igreja. A liturgia, com seu conjunto de sinais, palavras, ritos, em seus diversos significados, requer da catequese uma iniciação gradativa e perseverante para ser compreendida e vivenciada (cf. AS 127b, 129, 151, 153). Ambas fazem parte da natureza e da razão de ser da Igreja. Os sinais litúrgicos são ao mesmo tempo anúncio, lembrança, promessa, pedido e realização, mas só por meio da palavra evangelizadora e catequética esses seus significados tornam-se claros. É tarefa fundamental da catequese iniciar eficazmente os catecúmenos e catequizandos nos sinais litúrgicos e através deles introduzi-los no mistério pascal (catequese mistagógica; cf. AS 129a).

121. A catequese litúrgica é um processo que visa enraizar uma união madura, consciente e responsável com Cristo, sobretudo através das celebrações, e leva ao compromisso com o serviço da evangelização nas diversas realidades da vida. A catequese litúrgica prepara aos sacramentos e ajuda a vivenciá-los: leva a uma maior experiência do mistério cristão. Ela explica o conteúdo das orações, o sentido dos gestos e dos sinais, educa à participação ativa, à contemplação e ao silêncio. As fórmulas litúrgicas (particularmente as orações eucarísticas) são ricas de conteúdo doutrinal que expressam o mistério celebrado: a catequese que leva os catequizandos à sua maior compreensão deve ser considerada como “uma eminente forma de catequese” (DGC 71; cf. CT 23; SC 35, 3; CDC 777, §1 e 2).

122. O processo da formação litúrgica na catequese possui os seguintes elementos:

a) a centralidade do mistério pascal de Cristo na vida dos cristãos e em todas as celebrações;
b) a liturgia como um momento celebrativo da História da Salvação. Ela é a memória da obra da Salvação, pela qual Deus redimiu o mundo; nela essa obra é levada a efeito, projetando-a para a sua realização plena no futuro (escatologia);
c) a liturgia como exercício do sacerdócio de Jesus Cristo e ação nossa em conjunto com Ele presente na celebração, pela força do Espírito Santo;
d) a dimensão celebrativa da liturgia, como uma ação ritual e simbólica, em que a assembleia é o sujeito, e o Ressuscitado preside a oração da comunidade, atualiza a Salvação na vida e na história de seus participantes;
e) a compreensão não só intelectual dos ritos e símbolos como reveladores da ação pascal de Cristo e experiências de encontro com o Ressuscitado;
f) a dimensão comunitária da liturgia com sua variedade de ministérios, exercidos com qualidade;
g) o exercício de preparar boas celebrações, realizá-las adequadamente e proclamar claramente a Palavra;
h) a participação dos cristãos na Eucaristia como o coração do domingo (cf. NMI 36);
i) o aprofundamento do conhecimento da Palavra na catequese como ajuda para a celebração da Palavra de Deus, sobretudo nas comunidades, impossibilitadas de terem a celebração eucarística dominical;
j) a espiritualidade pascal, ao longo do ano litúrgico, como caminho de inserção gradativa no mistério pascal de Cristo;
k) a espiritualidade penitencial ou de conversão mediante a celebração do sacramento da Reconciliação;
l) o sentido dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, como sinais da comunhão com
Deus, em Cristo, que marcam, com sua graça, momentos fortes da vida e atualizam a Salvação no nosso dia-a-dia;
m) aprofundamento do sentido da presença de Maria no mistério de Cristo e da Igreja, e na vida de oração e serviço solidário dos cristãos, bem como a prudente e razoável devoção aos santos;
n) redimensionamento bíblico-litúrgico da religiosidade popular (bênçãos, romarias, caminhadas, novenas, festas dos padroeiros, ofícios divinos).


4. Nova compreensão do ministério da catequese

4.1. Catequese a serviço da iniciação cristã

35. No início do cristianismo, a catequese era o período em que se estruturava a conversão. Os já evangelizados eram iniciados no mistério da Salvação e num estilo evangélico de ser: experiência de vida cristã, ensinamento sistematizado, mudança de vida, crescimento na comunidade, constância na oração, alegre celebração da fé e engajamento missionário. Esse longo processo de iniciação, chamado catecumenato, se concluía com a imersão no mistério pascal através dos três grandes sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia. A catequese estava, pois, a serviço da iniciação cristã.

36. A situação do mundo atual levou a Igreja no Vaticano II a propor a restauração do catecumenato (cf. SC 64; CD 14; cf. AG 14). O Batismo de crianças, que as introduz na vida da graça, exige uma continuação, uma iniciação vivencial nos mistérios da fé (a pessoa de Jesus, a Igreja, a liturgia, os sacramentos) através da catequese. Esse processo catequético possibilita também aos já batizados (adultos, jovens, crianças) assumir conscientemente a própria vida cristã. Para os não batizados, a catequese se apresenta como processo catecumenal para a vida cristã (cf. CR 65; DGC 64).

4.1.1. O significado de iniciação no processo catequético

37. A iniciação possui uma raiz antiqüíssima nas culturas humanas. Elas a valorizavam muito, sobretudo nos ritos de passagem e pertença (batismo, circuncisão, ablação, casamento, desafios perigosos etc.), com destaque para a entrada na vida adulta. Nossa sociedade perdeu, quase por completo, esse elemento cultural, permanecendo alguns resquícios (festa das debutantes, rituais de acolhida em certos grupos, o recebimento dos calouros etc). O noviciado permanece hoje com características de iniciação à vida religiosa. A iniciação consistia num processo a ser percorrido, com metas, exercícios e ritos. Considerada como parte da iniciação cristã (cf. AG 14; RICA 19), a catequese não é uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja. É um processo exigente, um itinerário prolongado de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia.

4.1.2. Exigências da iniciação à vida cristã

38. A catequese, como elemento importante da iniciação à vida cristã, implica um longo processo vital de introdução dos cristãos ainda não plenamente iniciados, seja qual for a sua idade, nos diversos aspectos essenciais da fé cristã. Trata, de forma sistemática, de um todo elementar e coerente, que forneça base sólida para a caminhada “rumo à maturidade em Cristo” (cf. Ef 4,13), com as seguintes dimensões, interligadas entre si:

a) descoberta de si mesmo (dimensão antropológica ou tornar-se pessoa na ótica da fé);
d) vida no Espírito (dimensão pneumatológica);
e) celebração litúrgica e oração (dimensão celebrativa);


45. Os que recebem a catequese são chamados de “catequizandos”, se já receberam o Batismo, e de “catecúmenos”, quando se preparam para receber esse sacramento (cf. DGC 90, nota 60; 16, 29, 66 etc.). Para todos a catequese quer garantir uma formação integral, num processo em que estejam presentes a dimensão celebrativo-litúrgica da fé, a conversão para atitudes e comportamentos cristãos e o ensino da doutrina (cf. DGC 29, 88, 89): é a inspiração catecumenal que deve iluminar qualquer processo catequético.

46. A inspiração catecumenal, que remonta ao início da Igreja e à época dos Santos Padres, é uma ação gradual e se desenvolve em quatro tempos, como é apresentado no Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (nn. 6-7: DGC 88):

a) o pré-catecumenato: é o momento do primeiro anúncio, em vista da conversão, quando se explicita o querigma (primeira evangelização) e se estabelecem os primeiros contatos com a comunidade cristã (cf. RICA 9-13);

47. A formação propriamente catecumenal, conforme a mais antiga tradição, se realiza através da narração das experiências de Deus, particularmente da História da Salvação mediante a catequese bíblica. A preparação imediata ao Batismo é feita por meio da catequese doutrinal, que explica o Símbolo Apostólico e o Pai-Nosso, com suas implicações morais. Esse processo é acompanhado de ritos e escrutínios. A etapa que vem depois dos sacramentos de iniciação, mediante a catequese mistagógica, ajuda os neobatizados a impregnar-se dos sacramentos e a incorporar-se na comunidade (cf. DGC 89; cf. CR 222).

48. Essas etapas da tradição catecumenal pré-batismal inspiram também todo e qualquer tipo de catequese pós-batismal. Porém, entre catequizandos e catecúmenos, e entre catequese pós-batismal e catequese pré-batismal, existe uma diferença fundamental: os primeiros já foram introduzidos na Igreja, mergulhados em Cristo por meio do Batismo. Sua conversão se fundamenta, portanto, nesse Batismo já recebido, cuja graça devem desenvolver (cf. RICA 295; DGC 90).

49. Diante dessa substancial diferença, é preciso ter presentes estes elementos do catecumenato batismal: eles são fonte de inspiração para a catequese pós-batismal (cf. DGC 91):

a) O catecumenato batismal recorda constantemente à Igreja a importância fundamental da função da iniciação à vida cristã, que envolve “o anúncio da Palavra, o acolhimento do Evangelho, acarretando uma conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo, o acesso à Comunhão Eucarística” (CDC 1229). A pastoral de iniciação cristã é vital para a Igreja particular.

b) O catecumenato batismal é responsabilidade da comunidade cristã. De fato, tal iniciação cristã deve ser obra não apenas dos catequistas e dos presbíteros, mas também da comunidade de fiéis, e, sobretudo dos padrinhos (cf. AG 14d). A instituição catecumenal incrementa assim, na Igreja, a consciência da sua maternidade espiritual.

c) O catecumenato batismal é impregnado pelo mistério da Páscoa de Cristo. Por isso, “toda iniciação deve ter caráter pascal” (RICA 8). A Vigília pascal, centro da liturgia cristã, e a espiritualidade batismal são inspiração para qualquer processo catequético.

d) O catecumenato batismal é lugar privilegiado de inculturação.[1] Seguindo o exemplo da Encarnação do Filho de Deus, que, assumindo nossa realidade, foi em tudo semelhante a nós, menos no pecado (cf. Hb 4,15), a Igreja acolhe os catecúmenos integralmente, com os seus vínculos culturais, purificados à luz do Evangelho. A ação catequizadora participa dessa função de incorporar na catolicidade da Igreja as autênticas “sementes da Palavra”, disseminadas nos indivíduos e nos povos.

e) A concepção do catecumenato batismal, como processo formativo e verdadeira escola de fé, oferece à catequese pós-batismal uma dinâmica e algumas notas qualificativas: a intensidade e a integridade da formação; o seu caráter gradual, com etapas definidas; a sua vinculação com ritos, símbolos e sinais, especialmente bíblicos e litúrgicos; a sua constante referência à comunidade eclesial. A catequese pós-batismal não precisa reproduzir ao pé da letra o catecumenato batismal. Porém, reconhecendo aos catequizandos a sua realidade de batizados, inspira-se nessa “escola preparatória à vida cristã”, deixando-se fecundar pelos seus principais elementos.

50. A catequese não prepara simplesmente para este ou aquele sacramento. O sacramento é uma conseqüência de uma adesão à proposta do Reino, vivida na Igreja. Nosso processo de crescimento da fé é permanente; os sacramentos alimentam esse processo e têm conseqüências na vida. Diante da importância de assumir uma catequese de feição catecumenal, é necessário rever, profundamente, não apenas os “cursos de Batismo e de noivos” e outros semelhantes, mas todo o processo de catequese em nossa Igreja, para que se pautem pelo modelo do catecumenato.

4.6. Tarefas da catequese

53. Em virtude de sua própria dinâmica interna, a fé precisa ser conhecida, celebrada, vivida e cultivada na oração. E como ela deve ser vivida em comunidade e anunciada na missão, precisa ser compartilhada, testemunhada e anunciada. A catequese tem, portanto, as seguintes tarefas (cf. DGC 85-87):

a) Conhecimento da fé: a catequese introduz o cristão no conhecimento do próprio Jesus, das Escrituras Sagradas, da Igreja, da Tradição e das fórmulas da fé, particularmente do Credo Apostólico. E, nesse sentido, as fórmulas doutrinais ajudam no aprofundamento do mistério cristão: é a dimensão doutrinal da catequese.

b) Iniciação litúrgica: para realizar a sua obra salvífica, Cristo está presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas (SC 7). É tarefa da catequese introduzir no significado e participação ativa, interna e externa, consciente, plena e frutuosa dos mistérios (sacramentos), celebrações, sinais, símbolos, ritos, orações e outras formas litúrgicas. Na catequese primitiva era importante essa introdução no sentido pleno dos sinais e símbolos litúrgicos (mistagogia). Além do mais, a liturgia, por sua própria natureza, possui uma dimensão catequética. A catequese deve ser realizada em harmonia com o ano litúrgico.[2]

c) Formação moral: uma tarefa importante da catequese é educar a consciência, atitudes, espírito e projeto de vida segundo Jesus. As bem-aventuranças e os mandamentos, lidos e praticados à luz do Evangelho, e com suas conseqüências éticas e morais, tanto pessoais como sociais, fazem parte do conteúdo essencial da educação para as atitudes cristãs, como discípulos e discípulas de Jesus Cristo (cf. Mt 5,3-12; Ex 19; Dt 5,6-21; Mt 25,31-46). A formação para o sacramento da Penitência contribui para a formação moral. A coerência da vida dos cristãos com sua fé é sinal de eficácia da evangelização. Somente essa coerência poderá evitar os desvios do materialismo, consumismo, hedonismo e relativismo, e superar as “estruturas geradoras de injustiças” e outras formas impostas a um povo de tradição cristã. É preciso mostrar que a religião, especialmente o cristianismo, é fermento de libertação da pessoa e de transformação da sociedade (cf. DGAE 193).

d) Vida de oração: cabe à catequese ensinar a rezar por, com e em Cristo, com os mesmos sentimentos e disposições com os quais Ele se dirige ao Pai: adoração, louvor, agradecimento, confiança, súplica, contemplação. O Pai-Nosso é o modelo acabado da oração cristã (cf. Lc 11,1-4; Mt 6,9-13). O catecumenato, conforme o RICA, prevê a entrega do livro da Palavra de Deus, do Credo e do Pai-Nosso. A vida cristã atinge mais profundidade se é permeada por um clima de oração, que tem seu cume na liturgia. A catequese torna-se estéril e infrutífera se reduzida a um simples estudo ou mera reflexão doutrinal.

e)Vida comunitária: se a fé pode ser vivida em plenitude somente dentro da comunidade eclesial, é necessário que a catequese cuide com carinho dessa dimensão. Os evangelhos ensinam algumas atitudes importantes para a vida comunitária: simplicidade e humildade, solicitude pelos pequenos, atenção para os que erram ou se afastam, correção fraterna, oração em comum, amor fraterno, partilha de bens (cf. At 2,42-47; 4,32-35). O ecumenismo e o diálogo inter-religioso também fazem parte dessa educação para a vivência em comunidade.

f) Testemunho: a missão do cristão é levar, à sociedade de hoje, a certeza de que a verdade sobre o ser humano só se revela plenamente no mistério do Verbo encarnado. O testemunho de santidade tornará esse anúncio plenamente digno de fé (DGAE 81).

g) Missão: o verdadeiro discípulo de Jesus é missionário do Reino. “As comunidades eclesiais tenham viva consciência de que ‘aquilo que uma vez foi pregado pelo Senhor’ deve ser proclamado e espalhado até os confins da terra” (DGAE 25). Não há, portanto, autêntica catequese sem iniciação à missão, inclusive além-fronteiras, como parte essencial da vocação cristã.







[1]              Cf. acima 30, nota 15.
[2]              Esse tema será aprofundado mais à frente, 118-122.

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