sexta-feira, 9 de março de 2012

A Catequese na Igreja Particular (2ª parte)


A Catequese na Igreja Particular (2ª parte)


1. Igreja particular ou diocese, sujeito da catequese.

A eclesialidade da catequese se expressa, sobretudo, no papel da Igreja particular ou diocese que é seu sujeito ativo.
A Igreja particular (diocese), constituída em torno do bispo, congrega o povo de Deus de um lugar ou região. “Realização concreta do mistério da Igreja universal num determinado lugar e tempo” (DAp 166), a Igreja particular tem a catequese como ministério indispensável e fundamental para o crescimento da fé das pessoas e das comunidades na fé.
O ministério da catequese é um ministério relevante, essencial e insubstituível na Igreja particular, como processo formativo, progressivo, sistemático e permanente de educação da fé (cf. DNC 233).
A Igreja particular, catequizada e catequizadora, na realização da dimensão catequética, que lhe é indispensável, começa por se colocar sob a palavra de Deus, como ouvinte e praticante da mesma. Somente então poderá: garantir a autenticidade do serviço da palavra de Deus, promover a corresponsabilidade de todos os batizados em relação à ação catequética; estabelecer instrumentos que garantam a unidade da ação catequética dentro do quadro da ação evangelizadora; criar estruturas e mecanismos de  dinamização da catequese nas paróquias e comunidades.
Ela é convidada a “consagrar à catequese os seus melhores recursos de pessoal e energias, sem poupar esforços, trabalhos e meios materiais, a fim de organizá-la melhor e de formar pessoas qualificadas para este serviço” (CT 15; DGC 775; DNC 235).



2. Catequese, responsabilidade compartilhada na Igreja particular.

A catequese é uma responsabilidade compartilhada enquanto trata-se de um serviço único realizado em conjunto pela comunidade, famílias, leigos, catequistas, religiosas e religiosos, presbíteros, diáconos em comunhão com os bispos. É uma responsabilidade comum, assumida de modo diferenciado.
“O fato do ministério da catequese ser único, ainda que realizado por pessoas com funções diferentes e de maneira diferenciada, tem a ver com a natureza da própria catequese, uma vez que esta transmite a fé e educa as pessoas na fé apoiando-se na palavra e no testemunho de toda a comunidade cristã. Na verdade, a totalidade da catequese só se dá na totalidade dos sujeitos, dos agentes, dos âmbitos, das modalidades e dos meios que formam o rosto completo da mensagem e da realidade eclesial que catequistas e catequizandos dialeticamente compartilham”[1].
Numa diocese, são expressões de organização da catequese[2]:

·        a inserção da catequese no “Projeto Diocesano de Evangelização”, não como mero apêndice, mas como parte integrante do rosto daquela Igreja, de sua específica ação evangelizadora;

·        o Projeto Diocesano de Catequese (Diretrizes), elaborado participativamente e em sintonia com o Projeto Diocesano e Nacional, pois é expressão do cuidado do bispo e necessário para se manter a mística e a paixão pela catequese na diocese, animá-la e articulá-la organicamente  (cf. CT 64).

“A catequese não deve ser ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim ‘itinerário catequético permanente’. Por isso, compete a cada Igreja particular, com a ajuda das Conferências Episcopais, estabelecer um processo catequético orgânico e progressivo que se estenda por toda a vida, desde a infância até a terceira idade, levando em consideração que o Diretório Geral para a Catequese considera a catequese com adultos como  a forma fundamental de educação na fé (DAp 298).
- a Equipe de Coordenação Diocesana de Catequese (Secretariado),  “órgão através do qual, o bispo, animador da comunidade e mestre da doutrina, dirige e preside  a atividade catequética realizada na diocese” (DGC 265); é ponto de referência da organização da pastoral catequética (cf. DNC 232).


[1] CNBB, Ministério do Catequista, Estudos n. 95, São Paulo: Paulus, 2007, p. 47.
[2] Cf. LÓPEZ G. A. M, Organização Diocesana da Catequese,  in Dicionário de Catequética, Paulus: 2004, pp.829-836.   

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