A
Catequese na Igreja Particular (3ª parte)
3.1.
A paróquia,
ambiente de catequese.
Atualmente há um forte apelo para que as paróquias
realizem uma valente ação renovadora, reformulem suas estruturas, sejam redes
de comunidades, setorizem-se em unidades territoriais menores, descentralizem e
desconcentrem as ações pastorais a fim de que membros e grupos se sintam mais
próximos e realmente discípulos missionários de Jesus (cf. DAp 170. 172 e 372).
Daniel Micheletti[1],
ao considerar a relação paróquia e catequese, afirma que a renovação necessária
está em fazer da paróquia uma estrutura que evangeliza e catequiza enquanto que
sua missão prioritária é fazer (educar/formar) cristãos discípulos.
Neste sentido, o mesmo autor aponta algumas urgências a serem abraçadas
pela paróquia: necessidade de uma renovada pastoral de acompanhamento para se
realizar uma nova evangelização; proposta de itinerários diversificados de
educação da fé que gerem e façam as pessoas crescerem na fé; opção pela
iniciação cristã; redescoberta da família como espaço de vida e fé;
diversificação de ministérios assumidos por leigos qualificados.
Como célula viva da Igreja, continuadora do projeto de
Cristo, a paróquia é lugar privilegiado da catequese, da celebração dos
sacramentos e da caridade e de formação permanente (cf. DNC 303; DAp 306).
“Isso exige que se organizem verdadeiras instâncias formativas que assegurem o
acompanhamento e o amadurecimento de todos os agentes pastorais e dos leigos
engajados no mundo” (DAp 306).
Se a catequese redescobre seu lugar no processo de
evangelização a serviço da iniciação cristã (cf. DNC 35-38) a paróquia “precisa
ser lugar onde se assegure a iniciação cristã e terá como tarefas
irrenunciáveis: iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente
evangelizados; educar na fé as crianças batizadas num processo que as leve a
completar sua iniciação cristã; iniciar os não batizados que, havendo escutado
o querigma, querem abraçar a fé” (DAp 293).
O Diretório Nacional de Catequese não só vê a paróquia
como “ambiente de catequese” (Cap. VIII. 1.1.3), mas também insiste na formação
prévia dos seminaristas e na formação continuada de diáconos e presbíteros a
fim de que se habilitem devidamente para assumirem a missão de “educadores da
fé” (cf. DNC 284-286). Atribui a estes e, principalmente aos párocos, diversas
responsabilidades, entre as quais: entusiasmar-se pela catequese; formar a
comunidade catequizadora e catequizada; descobrir, apoiar e estimular a vocação
catequética; auxiliar-se por uma equipe de coordenação que garanta o processo
de catequese renovada integrado no projeto diocesano; acompanhar a formação
inicial e permanente dos catequistas; disponibilizar recursos financeiros para
a catequese; incentivar a presença de homens no ministério da catequese (cf.
DNC 249).
3.2.
A comunidade
cristã, lugar habitual de catequese.
A comunidade cristã como expressão localizada da
Igreja universal é a realização existencial, visível, missionária do evento
salvífico de Deus na vida do povo, por meio das mediações do serviço, da
comunhão, do anúncio e da liturgia. É lugar privilegiado de catequese porque é
a “vida cristã em ato” enquanto possibilita a escuta e o anúncio da Palavra,
provoca a conversão, testemunha, educa e alimenta a fé, celebra e se compromete
com transformação da sociedade. As CEBs e as pequenas comunidades são “escolas
que têm ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e
missionários do Senhor” (DAp 178).
Numa cultura marcada pelo visual e sensível às experiências
vividas, a vida da comunidade cristã é um apoio indispensável na educação da
fé. Como afirmou a mensagem final do Sínodo de Catequese de 1977, “a comunidade
cristã constitui o lugar ou o quadro habitual da catequese”. A catequese não é
uma função meramente individual, mas deve realizar-se sempre na dimensão da
comunidade cristã (13).
Espaço onde fé e vida se interagem, a comunidade
cristã evidenciará que é catequizada e catequizadora se cultivar alguns traços
como: acolhimento, convivência, solidariedade, defesa dos pequenos,
transformação de todas as ocasiões em oportunidades de educação da fé;
aprofundamento e estudo da fé; expressão
da fé na oração, leitura orante da palavra de Deus, nas novenas e na celebração
no mistério pascal no domingo e festas; partilha, união e compromisso
transformador (cf. DNC 302).
Apoiada e sustentada pelo testemunho da comunidade, realizada em redes
de comunidades, a catequese por sua vez se beneficiará deste lugar catequético,
assumindo algumas opções de talho comunitário: seguimento de Jesus em
comunidade; iniciação à vida de fé em comunidade; prioridade da vivência de
ações que possibilitam e concretizam a experiência eclesial tais como acolhida,
escuta, perdão, partilha, celebração, compromisso, missão; conteúdo e método marcados
pela “relação catequética” enquanto “o quê” vai vivenciado pelo “como” se vive
a fé em comunidade; catequista como porta-voz da experiência cristã que busca
testemunhar e irradiar; formação de grupos de catequistas; sensibilização das
famílas e formação de grupos infanto-juvenis e de adultos como lugar de
reflexão, oração, celebração e ação; uso de textos da Bíblia, como livro por
excelência, como iluminação e incentivo da experiência de Deus em comunidade;
organização que priorize o comunitário, a participação, a comunhão e a
corresponsabilidade; favorecimento da formação de comunidades onde ainda não
existem[2].
3.3.
A família,
berço de vida e fé
Se
pesa sobre a família o impacto das transformações socioculturais, a Igreja
continua afirmando seu papel insubstituível na formação humana e cristã da
pessoa. Se, hoje, muitas vezes a família abre mão do seu papel de educadora da
vida e da fé, a Igreja entende que necessário sensibilizá-la para que recupere
sua identidade de espaço humanizador e cristão. A comunidade
cristã não pode substituir os pais, mas deve colaborar com eles na educação dos
filhos. Como frequentemente não estão esclarecidos nem preparados para esta
missão, é hoje urgente e indispensável que as comunidades, seus pastores e
responsáveis definam um projeto de sensibilização e de formação de pais que
integre um conjunto de propostas adequadas às suas situações e possibilidades,
como: reuniões periódicas bem preparadas, formação cristã orgânica de pais
aproveitando até os tempos dos encontros de catequese dos filhos para uma
catequese paralela com os pais[3].
Já que a catequese se realiza desde o ventre materno[4],
o projeto catequético da diocese deverá abranger a família e acompanhar as
pessoas desde a infância até a idade avançada (cf. DNC 312) e é responsabilidade
da coordenação paroquial de catequese “organizar equipes nos vários níveis,
sistematizar uma catequese permanente com os pais e promover ações referentes à
fomação com adultos” (DNC 325).
A
fim de que a família se reaproprie de seu papel educativo e seja espaço de
educação da fé, espera-se que a Igreja: organize uma
adequada formação catequética com adultos; acompanhe com ações programadas os
jovens cristãos que se preparam para o matrimônio; incentive as parcerias pastorais/movimentos no acompanhamento às famílias; proporcionar às famílias experiência
de Deus; crie comunidades: relações
de amizade, partilha, gratuidade, lazer, festa, alegria, prazer e compromisso; estimule os pais para o seguimento de
Jesus com convicção, coerência e perseverança; crie pontes entre as gerações; acolha famílias ou núcleos familiares de segunda união que
buscam um sentido cristão para a vida; realize
encontros de catequese na casa dos catequizandos (cf. DNC 300); dê atenção
especial ao lares com dificuldades tanto de relacionamento como econômicas (DNC
298).
Na sua proposta de catequese
num projeto novo de paróquia, Micheletti considera que: “É necessário pensarmos
numa pastoral não mais estruturada pela idade, mas que integre todas as
gerações, onde filhos e pais compartilhem juntos a experiência de serem
cristãos”[5].
[1] Cf. MICHELETTI D. G, A Paróquia hoje e o desfio da Evangelização e da Catequese. Uma
proposta evangelizadora inspirada no estilo catecumenal, in Revista de Catequese 30 (2007) n.º 117,
pp.35-42.
[2] Cf. NERY J I, A dimensão
comunitária da catequese renovada, in Revista de Catequese 7 (1984), n.º
27, pp. 16-24.
[3] Cf. EQUIPE REGIONAL DE CATEQUESE-REGIONAL SUL
IV, Catequese. Fé e vida sempre,
Florianópolis-SC. Trata-se de uma interessante experiência de catequese com os
pais dos catequizandos da Iniciação Eucarística.
[4] Cf. DIOCESE DE JOINVILLE, Catequese no ventre materno e nos primeiros anos. Joinville. Editora 3 de maio:2004.
[5] MICHELETTI D. G, o.c., p. 40.



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