sexta-feira, 9 de março de 2012

A Catequese na Igreja Particular (3ª parte)


A Catequese na Igreja Particular (3ª parte)

3.1. A paróquia, ambiente de catequese.

Atualmente há um forte apelo para que as paróquias realizem uma valente ação renovadora, reformulem suas estruturas, sejam redes de comunidades, setorizem-se em unidades territoriais menores, descentralizem e desconcentrem as ações pastorais a fim de que membros e grupos se sintam mais próximos e realmente discípulos missionários de Jesus (cf. DAp 170. 172 e 372).
Daniel Micheletti[1], ao considerar a relação paróquia e catequese, afirma que a renovação necessária está em fazer da paróquia uma estrutura que evangeliza e catequiza enquanto que sua missão prioritária é fazer (educar/formar) cristãos discípulos.
Neste sentido, o mesmo autor aponta algumas urgências a serem abraçadas pela paróquia: necessidade de uma renovada pastoral de acompanhamento para se realizar uma nova evangelização; proposta de itinerários diversificados de educação da fé que gerem e façam as pessoas crescerem na fé; opção pela iniciação cristã; redescoberta da família como espaço de vida e fé; diversificação de ministérios assumidos por leigos qualificados.
Como célula viva da Igreja, continuadora do projeto de Cristo, a paróquia é lugar privilegiado da catequese, da celebração dos sacramentos e da caridade e de formação permanente (cf. DNC 303; DAp 306). “Isso exige que se organizem verdadeiras instâncias formativas que assegurem o acompanhamento e o amadurecimento de todos os agentes pastorais e dos leigos engajados no mundo” (DAp 306).
Se a catequese redescobre seu lugar no processo de evangelização a serviço da iniciação cristã (cf. DNC 35-38) a paróquia “precisa ser lugar onde se assegure a iniciação cristã e terá como tarefas irrenunciáveis: iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente evangelizados; educar na fé as crianças batizadas num processo que as leve a completar sua iniciação cristã; iniciar os não batizados que, havendo escutado o querigma, querem abraçar a fé” (DAp 293).
O Diretório Nacional de Catequese não só vê a paróquia como “ambiente de catequese” (Cap. VIII. 1.1.3), mas também insiste na formação prévia dos seminaristas e na formação continuada de diáconos e presbíteros a fim de que se habilitem devidamente para assumirem a missão de “educadores da fé” (cf. DNC 284-286). Atribui a estes e, principalmente aos párocos, diversas responsabilidades, entre as quais: entusiasmar-se pela catequese; formar a comunidade catequizadora e catequizada; descobrir, apoiar e estimular a vocação catequética; auxiliar-se por uma equipe de coordenação que garanta o processo de catequese renovada integrado no projeto diocesano; acompanhar a formação inicial e permanente dos catequistas; disponibilizar recursos financeiros para a catequese; incentivar a presença de homens no ministério da catequese (cf. DNC 249).

3.2. A comunidade cristã, lugar habitual de catequese.


A comunidade cristã como expressão localizada da Igreja universal é a realização existencial, visível, missionária do evento salvífico de Deus na vida do povo, por meio das mediações do serviço, da comunhão, do anúncio e da liturgia. É lugar privilegiado de catequese porque é a “vida cristã em ato” enquanto possibilita a escuta e o anúncio da Palavra, provoca a conversão, testemunha, educa e alimenta a fé, celebra e se compromete com transformação da sociedade. As CEBs e as pequenas comunidades são “escolas que têm ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do Senhor” (DAp 178).
Numa cultura marcada pelo visual e sensível às experiências vividas, a vida da comunidade cristã é um apoio indispensável na educação da fé. Como afirmou a mensagem final do Sínodo de Catequese de 1977, “a comunidade cristã constitui o lugar ou o quadro habitual da catequese”. A catequese não é uma função meramente individual, mas deve realizar-se sempre na dimensão da comunidade cristã (13).
Espaço onde fé e vida se interagem, a comunidade cristã evidenciará que é catequizada e catequizadora se cultivar alguns traços como: acolhimento, convivência, solidariedade, defesa dos pequenos, transformação de todas as ocasiões em oportunidades de educação da fé; aprofundamento  e estudo da fé; expressão da fé na oração, leitura orante da palavra de Deus, nas novenas e na celebração no mistério pascal no domingo e festas; partilha, união e compromisso transformador (cf. DNC 302).
Apoiada e sustentada pelo testemunho da comunidade, realizada em redes de comunidades, a catequese por sua vez se beneficiará deste lugar catequético, assumindo algumas opções de talho comunitário: seguimento de Jesus em comunidade; iniciação à vida de fé em comunidade; prioridade da vivência de ações que possibilitam e concretizam a experiência eclesial tais como acolhida, escuta, perdão, partilha, celebração, compromisso, missão; conteúdo e método marcados pela “relação catequética” enquanto “o quê” vai vivenciado pelo “como” se vive a fé em comunidade; catequista como porta-voz da experiência cristã que busca testemunhar e irradiar; formação de grupos de catequistas; sensibilização das famílas e formação de grupos infanto-juvenis e de adultos como lugar de reflexão, oração, celebração e ação; uso de textos da Bíblia, como livro por excelência, como iluminação e incentivo da experiência de Deus em comunidade; organização que priorize o comunitário, a participação, a comunhão e a corresponsabilidade; favorecimento da formação de comunidades onde ainda não existem[2].



3.3. A família, berço de vida e fé

Se pesa sobre a família o impacto das transformações socioculturais, a Igreja continua afirmando seu papel insubstituível na formação humana e cristã da pessoa. Se, hoje, muitas vezes a família abre mão do seu papel de educadora da vida e da fé, a Igreja entende que necessário sensibilizá-la para que recupere sua identidade de espaço humanizador e cristão. A comunidade cristã não pode substituir os pais, mas deve colaborar com eles na educação dos filhos. Como frequentemente não estão esclarecidos nem preparados para esta missão, é hoje urgente e indispensável que as comunidades, seus pastores e responsáveis definam um projeto de sensibilização e de formação de pais que integre um conjunto de propostas adequadas às suas situações e possibilidades, como: reuniões periódicas bem preparadas, formação cristã orgânica de pais aproveitando até os tempos dos encontros de catequese dos filhos para uma catequese paralela com os pais[3].
Já que a catequese se realiza desde o ventre materno[4], o projeto catequético da diocese deverá abranger a família e acompanhar as pessoas desde a infância até a idade avançada (cf. DNC 312) e é responsabilidade da coordenação paroquial de catequese “organizar equipes nos vários níveis, sistematizar uma catequese permanente com os pais e promover ações referentes à fomação com adultos” (DNC 325).
          A fim de que a família se reaproprie de seu papel educativo e seja espaço de educação da fé, espera-se que a Igreja: organize uma adequada formação catequética com adultos; acompanhe com ações programadas os jovens cristãos que se preparam para o matrimônio; incentive as parcerias pastorais/movimentos no acompanhamento às famílias; proporcionar às famílias experiência de Deus; crie comunidades: relações de amizade, partilha, gratuidade, lazer, festa, alegria, prazer e compromisso; estimule os pais para o seguimento de Jesus com convicção, coerência e perseverança; crie pontes entre as gerações; acolha famílias ou núcleos familiares de segunda união que buscam um sentido cristão para a vida; realize encontros de catequese na casa dos catequizandos (cf. DNC 300); dê atenção especial ao lares com dificuldades tanto de relacionamento como econômicas (DNC 298).
Na sua proposta de catequese num projeto novo de paróquia, Micheletti considera que: “É necessário pensarmos numa pastoral não mais estruturada pela idade, mas que integre todas as gerações, onde filhos e pais compartilhem juntos a experiência de serem cristãos”[5].




[1] Cf. MICHELETTI D. G, A Paróquia hoje e o desfio da Evangelização e da Catequese. Uma proposta evangelizadora inspirada no estilo catecumenal,  in Revista de Catequese 30 (2007) n.º 117, pp.35-42.
[2] Cf. NERY J I, A dimensão comunitária da catequese renovada, in Revista de Catequese 7 (1984), n.º 27, pp. 16-24.
[3] Cf. EQUIPE REGIONAL DE CATEQUESE-REGIONAL SUL IV, Catequese. Fé e vida sempre, Florianópolis-SC. Trata-se de uma interessante experiência de catequese com os pais dos catequizandos da Iniciação Eucarística.       
[4] Cf. DIOCESE DE JOINVILLE, Catequese no ventre materno e nos primeiros anos. Joinville. Editora 3 de maio:2004.
[5] MICHELETTI D. G, o.c., p. 40.

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