A
Catequese na Igreja Particular (4ª parte)
4.1
- O grupo de catequistas, aprendizado e sinal de vida eclesial.
A vocação do catequista está intimamente vinculada à
comunidade eclesial, sujeito primeiro da ação catequética.
O empenho da comunidade cristã em relação à catequese
é de:
- Descobrir e suscitar vocações o ministério da
catequese. Há um chamado a ser feito e
um discernimento dos vocacionados à catequese.
- Formar, acompanhar e aprofundar a vocação e a missão dos
catequistas. Não basta recrutar e
enviar. É necessário oferecer todas as ajudas necessárias para que possam
amadurecer as motivações, adquirir uma espiritualidade própria, ter uma
suficiente preparação doutrinal e metodológica, confrontar experiências.
- Sustentar, oferecer aos catequistas estima colaboração, estímulo,
reconhecimento, apoio, prover de recursos, material pedagógico, financiamento
de cursos, encontros e reuniões. Mesmo generosos e gratuitos, “muitos são
pobres e cooperam penosamente no sustento da família” (DNC 236).
Como expressão qualificada da comunidade, os
catequistas devem sentir-se protegidos e confortados pela atenção e ajuda da
comunidade.
Uma grande “escola de vida e de formação” do
catequista é a organização do Grupo ou (grupos) de Catequistas que não tem um
caráter meramente funcional, organizativo, operacional e nem uma motivação
simplesmente psicológica e pedagógica. É expressão e sinal da própria Igreja.
“O catequista deve viver sua experiência cristã
e sua missão dentro de um grupo de catequistas, que dará continuidade à
formação e oferecerá oportunidades para a oração em comum, a reflexão, a
avaliação de tarefas realizadas, o planejamento e a preparação dos trabalhos
futuros. Assim o grupo de catequistas expressa visivelmente o caráter
comunitário da tarefa catequética” (CR 151). “A importância da convivência em
grupo servirá como testemunho coletivo perante a comunidade” (DNC 277f )
“Um
espaço privilegiado de relações humanas fraternas, de ajuda e de crescimento é
o grupo de catequistas. A relações passam pela experiência do diálogo, do
compartilhar, da amizade, da convivência dos grupos de trabalhos, das festas”
(DNC 271).
O Grupo de
Catequistas é sinal da comunidade enquanto:
- reúne pessoas que assumem o Ministério da Palavra;
- é expressão da unidade dos catequistas;
- articula-se com a ação pastoral da comunidade pela presença no
CPP/CPC
- dá prosseguimento à prática de Jesus que teve um jeito próprio de
realizar sua missão.
Não trabalhou sozinho, mas organizou um grupo.
Preocupou-se com o povo, mas também cultivou o pequeno grupo dos Doze: escolheu
cada um, conviveu com eles, conheceu bem a todos, instruiu-os e os enviou.
O grupo de catequistas tem identidade própria.
Caracteriza-se por ser[1]:
- Comunidade de fé: convocado,
congregado pela palavra da qual é
servidor. A Palavra é o centro animador
e propulsor do grupo. Ela é quem permite reconhecer um Grupo de Catequistas. À
luz da Palavra avalia-se a vocação batismal e crismal do grupo.
- Comunidade de discípulos: o grupo é um caminho, um itinerário de formação cristã para
os catequistas. Ele facilita a conversão, o seguimento, o crescimento na
amizade e no compromisso com o Senhor e a vivência comum das exigências da
missão.
- Comunidade de irmãos: o grupo é uma experiência de fraternidade
catequética por meio da aceitação mútua, da valorização do outro, do
entrosamento, do diálogo, da co-responsabilidade, da participação, da divisão
de tarefas, da revisão de vida e da celebração. É importante fomentar um
conjunto de relações que ajude a viver como
irmãos por causa da Palavra que une, cria solidariedade e ajuda a
crescer como Igreja. O grupo alimenta a pertença à comunidade, à paróquia, à
diocese e à Igreja. A presença dos catequistas no Conselho Paroquial ou
Comunitário de Pastoral e em outras instâncias de comunhão ajuda a assumir com
mais consciência a missão comum a todos: servir ao Reino.
- Comunidade de
testemunhas: o grupo ajuda
o catequista a ser capaz de dar razões, com a própria vida, da palavra que
anuncia. Ajuda a fazer a interação vida/fé em âmbito pessoal e comunitário por
meio da: - leitura da realidade; - da percepção dos apelos de Deus nela; - da
busca de meios que iluminem esta realidade: estudo, leitura orante da Bíblia,
aprofundamento dos ensinamentos da Igreja, informação, vivência em comunidade,
oração, celebração e do planejamento
participativo.
- Comunidade de missionários:
o grupo reforça nos
catequistas o compromisso e a consciência de serem enviados para proclamar a palavra,
anunciar a boa-nova, empenhando-se na transformação do mundo.
- Comunidade em
crescimento permanente: antes de tudo é canal
de crescimento humano, pois o catequista se sente amado, valorizado, aceito e
ajudado a polir arestas, conviver num clima de troca de experiências e de
diálogo. O grupo é também lugar de busca
sempre nova na vivência e no testemunho da mensagem cristã. É oportunidade de
crescimento permanente de encontro com o Senhor, de intercâmbio fraterno, de
comunhão no serviço da palavra, de estímulo na realização da tarefa de integrar
vida/fé, renovar a Igreja e transformar a sociedade. Em e por meio do grupo o
catequista amadurecerá como pessoa e como discípulo-missionário.
- Comunidade servidora: no grupo, segundo dons e aptidões de cada
catequista, diversos serviços poderão ser assumidos e formarem-se equipes com
diferentes incumbências: coordenação, liturgia, lazer, animação e canto,
decoração, secretaria, finanças, biblioteca, etc.
4.2
- Catequistas, testemunhas da experiência de fé da Igreja
Nesta missão compartilhada de educação da fé, os catequistas ocupam
um lugar especial. Assumindo os sacramentos da iniciação cristã como raiz e
fonte da própria vocação, em nome da comunidade, orientam e caminham junto com os
vários e diversos grupos da catequese. São eles o rosto e porta-voz da fé da
Igreja e testemunhas da experiência de fé das comunidades. Discípulos de Jesus
Cristo, guiam outros irmãos no caminho que eles próprios se esforçam por
seguir.
“A grande quantidade de catequistas que se
dedicam com grande paixão a esse ministério vital para a educação na fé, na
esperança e na caridade daqueles que optam por seguir Jesus Cristo e também as
milhares de pessoas que, sem serem denominadas catequistas, o são, de fato,
pois exercem essa mesma missão em nossas comunidades eclesiais” (DNC-Apresentação)
são a demonstração evidente do carinho e apreço que a Igreja no Brasil devota à
catequese.
A escolha criteriosa e a formação sólida dos
catequistas deve ser uma das principais preocupações dos pastores e
coordenadores que reconhecem a prioridade da catequese na Igreja.
Há diversos níveis de responsabilidade
catequética: catequistas de base (catequistas propriamente ditos) coordenadores
(agentes intermediários) e especialistas, bem como uma diferenciação segundo a
missão que se assume: catequistas com crianças, com jovens, com adolescentes,
com adultos, com idosos; catequistas junto a pessoas com deficiência;
animadores da catequese familiar, da catequese de batismo, dos povos indígenas,
da catequese bíblica, etc.
A formação é um compromisso compartilhado pelos diversos
agentes e pelas diveras instâncias de coordenação. Ela se dá informalmente pela
própria vivência e participação dos
agentes na vida que os cerca, vivendo e aprendendo, na interação fé/vida em comunidade. A
formação sistemática dos agentes envolvidos na catequese se dá em diversos
níveis:
Nacional: a Comissão Episcopal para a
Animação Bíblico-Catequética da CNBB promove reuniões do GRECAT, GREBIN,
GRESCAT; Encontros de professores de Catequética e Catequetas; Seminários em
torno de temas pertinentes ao trabalho catequético; Semanas Brasileira de
Catequese; Encontros Nacionais de Coordenadores e participa de encontros
internacionais;
Regional: os respectivos Regionais promovem
reuniões de coordenadores diocesanos, de bispos, do clero, de religiosos, congressos
e mantêm cursos e escolas de formação catequética para coordenadores;
Diocesano: muitas dioceses têm sua equipe de coordenação, já elaboraram um
projeto de formação de coordenadores paroquiais, investem em visitas, cursos,
reuniões e subsídios em comunhão com os regionais. Organizam a formação em
setores ou foranias. Cuidam também para que nos seminários e cursos de teologia
haja a catequética como componente da grade curricular.
Paroquial e Comunitário: a formação inicial ou de base é de competência das paróquias ou comunidades e depende de como se organizam.
Importante é que cuidem da formação inicial, preparando os novos catequistas e
da formação permanente dos demais para que estejam sempre atualizados.
Importante é que, no processo de formação,
não importa o nível em que se realize, sejam contempladas algumas exigências
fundamentais: - a fonte inspiradora é Jesus Cristo, Mestre, Educador e
Servidor; - não improvisar, mas pautar-se por um “projeto de formação”; -
respeitar a condição de adultos e de interlocutores dos catequistas,
favorecendo uma fé adulta dos mesmos e personalizar o processo; - entrelaçar
teoria/prática, dando um talho catequético ao processo formativo; - visar a
globalidade da formação (ser, saber, saber fazer, saber conviver e saber
discernir); - envolver tudo com a mística e a espiritualidade própria da
catequese; - mais do que dar tudo pronto, possibilitar que as pessoas “aprendam
a aprender”, capacitando-as para a formação permanente, criativa e apaixonada
pela missão[2].
O processo de formação nos diversos níveis favorecerá o
amadurecimento e o comprometimento do catequista com sua vocação missão.
Somente com catequistas bem formados, “reconhecidamente eficientes como
educadores da fé de adultos, jovens e crianças e dispostos a se dedicarem por
um tempo razaoável à atividade catequética na comunidade, pode ser conferido
oficialmente o ministério da catequese” (DNC 245).


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