sexta-feira, 9 de março de 2012

A Catequese na Igreja Particular (4ª parte)


A Catequese na Igreja Particular (4ª parte)

4.1 - O grupo de catequistas, aprendizado e sinal de vida eclesial.

A vocação do catequista está intimamente vinculada à comunidade eclesial, sujeito primeiro da ação catequética.
O empenho da comunidade cristã em relação à catequese é de:
- Descobrir e suscitar vocações o ministério da catequese. Há um chamado a ser feito e  um discernimento dos vocacionados à catequese.
- Formar, acompanhar e aprofundar a vocação e a missão dos catequistas.  Não basta recrutar e enviar. É necessário oferecer todas as ajudas necessárias para que possam amadurecer as motivações, adquirir uma espiritualidade própria, ter uma suficiente preparação doutrinal e metodológica, confrontar experiências.
- Sustentar, oferecer aos catequistas estima colaboração, estímulo, reconhecimento, apoio, prover de recursos, material pedagógico, financiamento de cursos, encontros e reuniões. Mesmo generosos e gratuitos, “muitos são pobres e cooperam penosamente no sustento da família” (DNC 236).
Como expressão qualificada da comunidade, os catequistas devem sentir-se protegidos e confortados pela atenção e ajuda da comunidade.
Uma grande “escola de vida e de formação” do catequista é a organização do Grupo ou (grupos) de Catequistas que não tem um caráter meramente funcional, organizativo, operacional e nem uma motivação simplesmente psicológica e pedagógica. É expressão e sinal da própria Igreja.
O catequista deve viver sua experiência cristã e sua missão dentro de um grupo de catequistas, que dará continuidade à formação e oferecerá oportunidades para a oração em comum, a reflexão, a avaliação de tarefas realizadas, o planejamento e a preparação dos trabalhos futuros. Assim o grupo de catequistas expressa visivelmente o caráter comunitário da tarefa catequética” (CR 151). “A importância da convivência em grupo servirá como testemunho coletivo perante a comunidade” (DNC 277f)
“Um espaço privilegiado de relações humanas fraternas, de ajuda e de crescimento é o grupo de catequistas. A relações passam pela experiência do diálogo, do compartilhar, da amizade, da convivência dos grupos de trabalhos, das festas” (DNC 271).
       O Grupo de Catequistas é sinal da comunidade enquanto:
- reúne pessoas que assumem o Ministério da Palavra;
- é expressão da unidade dos catequistas;
- articula-se com a ação pastoral da comunidade pela presença no CPP/CPC
- dá prosseguimento à prática de Jesus que teve um jeito próprio de realizar sua missão.
Não trabalhou sozinho, mas organizou um grupo. Preocupou-se com o povo, mas também cultivou o pequeno grupo dos Doze: escolheu cada um, conviveu com eles, conheceu bem a todos, instruiu-os e os enviou.
O grupo de catequistas tem identidade própria. Caracteriza-se por ser[1]:
Comunidade de fé: convocado, congregado pela palavra da qual é servidor. A Palavra é o centro animador e propulsor do grupo. Ela é quem permite reconhecer um Grupo de Catequistas. À luz da Palavra avalia-se a vocação batismal e crismal do grupo.
-  Comunidade de discípulos: o grupo é um caminho, um itinerário de formação cristã para os catequistas. Ele facilita a conversão, o seguimento, o crescimento na amizade e no compromisso com o Senhor e a vivência comum das exigências da missão.
-  Comunidade de irmãos: o grupo é uma experiência de fraternidade catequética por meio da aceitação mútua, da valorização do outro, do entrosamento, do diálogo, da co-responsabilidade, da participação, da divisão de tarefas, da revisão de vida e da celebração. É importante fomentar um conjunto de relações que ajude a viver como           irmãos por causa da Palavra que une, cria solidariedade e ajuda a crescer como Igreja. O grupo alimenta a pertença à comunidade, à paróquia, à diocese e à Igreja. A presença dos catequistas no Conselho Paroquial ou Comunitário de Pastoral e em outras instâncias de comunhão ajuda a assumir com mais consciência a missão comum a todos: servir ao Reino.
- Comunidade de testemunhas: o grupo  ajuda o catequista a ser capaz de dar razões, com a própria vida, da palavra que anuncia. Ajuda a fazer a interação vida/fé em âmbito pessoal e comunitário por meio da: - leitura da realidade; - da percepção dos apelos de Deus nela; - da busca de meios que iluminem esta realidade: estudo, leitura orante da Bíblia, aprofundamento dos ensinamentos da Igreja, informação, vivência em comunidade, oração, celebração e  do planejamento participativo.
- Comunidade de missionários: o grupo reforça nos catequistas o compromisso e a consciência de serem enviados para proclamar a palavra, anunciar a boa-nova, empenhando-se na transformação do mundo.
- Comunidade em crescimento permanente: antes de tudo é canal de crescimento humano, pois o catequista se sente amado, valorizado, aceito e ajudado a polir arestas, conviver num clima de troca de experiências e de diálogo. O grupo é também lugar de busca sempre nova na vivência e no testemunho da mensagem cristã. É oportunidade de crescimento permanente de encontro com o Senhor, de intercâmbio fraterno, de comunhão no serviço da palavra, de estímulo na realização da tarefa de integrar vida/fé, renovar a Igreja e transformar a sociedade. Em e por meio do grupo o catequista amadurecerá como pessoa e como discípulo-missionário.
- Comunidade servidora: no grupo, segundo dons e aptidões de cada catequista, diversos serviços poderão ser assumidos e formarem-se equipes com diferentes incumbências: coordenação, liturgia, lazer, animação e canto, decoração, secretaria, finanças, biblioteca, etc.

4.2 - Catequistas, testemunhas da experiência de fé da Igreja

Nesta missão compartilhada de educação da fé, os catequistas ocupam um lugar especial. Assumindo os sacramentos da iniciação cristã como raiz e fonte da própria vocação, em nome da comunidade, orientam e caminham junto com os vários e diversos grupos da catequese. São eles o rosto e porta-voz da fé da Igreja e testemunhas da experiência de fé das comunidades. Discípulos de Jesus Cristo, guiam outros irmãos no caminho que eles próprios se esforçam por seguir.
“A grande quantidade de catequistas que se dedicam com grande paixão a esse ministério vital para a educação na fé, na esperança e na caridade daqueles que optam por seguir Jesus Cristo e também as milhares de pessoas que, sem serem denominadas catequistas, o são, de fato, pois exercem essa mesma missão em nossas comunidades eclesiais” (DNC-Apresentação) são a demonstração evidente do carinho e apreço que a Igreja no Brasil devota à catequese.
A escolha criteriosa e a formação sólida dos catequistas deve ser uma das principais preocupações dos pastores e coordenadores que reconhecem a prioridade da catequese na Igreja.
Há diversos níveis de responsabilidade catequética: catequistas de base (catequistas propriamente ditos) coordenadores (agentes intermediários) e especialistas, bem como uma diferenciação segundo a missão que se assume: catequistas com crianças, com jovens, com adolescentes, com adultos, com idosos; catequistas junto a pessoas com deficiência; animadores da catequese familiar, da catequese de batismo, dos povos indígenas, da catequese bíblica, etc.
A formação é um compromisso compartilhado pelos diversos agentes e pelas diveras instâncias de coordenação. Ela se dá informalmente pela própria vivência  e participação dos agentes na vida que os cerca, vivendo e aprendendo, na interação fé/vida em comunidade. A formação sistemática dos agentes envolvidos na catequese se dá em diversos níveis:
Nacional: a Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB promove reuniões do GRECAT, GREBIN, GRESCAT; Encontros de professores de Catequética e Catequetas; Seminários em torno de temas pertinentes ao trabalho catequético; Semanas Brasileira de Catequese; Encontros Nacionais de Coordenadores e participa de encontros internacionais;
Regional: os respectivos Regionais promovem reuniões de coordenadores diocesanos, de bispos, do clero, de religiosos, congressos e mantêm cursos e escolas de formação catequética para coordenadores;
Diocesano: muitas dioceses têm sua equipe de coordenação, já elaboraram um projeto de formação de coordenadores paroquiais, investem em visitas, cursos, reuniões e subsídios em comunhão com os regionais. Organizam a formação em setores ou foranias. Cuidam também para que nos seminários e cursos de teologia haja a catequética como componente da grade curricular.
Paroquial e Comunitário: a formação inicial ou de base é de competência das paróquias ou comunidades e depende de como se organizam. Importante é que cuidem da formação inicial, preparando os novos catequistas e da formação permanente dos demais para que estejam sempre atualizados.
Importante é que, no processo de formação, não importa o nível em que se realize, sejam contempladas algumas exigências fundamentais: - a fonte inspiradora é Jesus Cristo, Mestre, Educador e Servidor; - não improvisar, mas pautar-se por um “projeto de formação”; - respeitar a condição de adultos e de interlocutores dos catequistas, favorecendo uma fé adulta dos mesmos e personalizar o processo; - entrelaçar teoria/prática, dando um talho catequético ao processo formativo; - visar a globalidade da formação (ser, saber, saber fazer, saber conviver e saber discernir); - envolver tudo com a mística e a espiritualidade própria da catequese; - mais do que dar tudo pronto, possibilitar que as pessoas “aprendam a aprender”, capacitando-as para a formação permanente, criativa e apaixonada pela missão[2].
O processo de formação nos diversos níveis favorecerá o amadurecimento e o comprometimento do catequista com sua vocação missão. Somente com catequistas bem formados, “reconhecidamente eficientes como educadores da fé de adultos, jovens e crianças e dispostos a se dedicarem por um tempo razaoável à atividade catequética na comunidade, pode ser conferido oficialmente o ministério da catequese” (DNC 245).


[1] Cf. GATI C., O grupo de catequistas. O que é. Como formá-lo. Como funciona. Ed. Salesiana: 1980.
[2] Cf. ALBERICH  E., o.c. pp. 345-358; DNC 252-294. 

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